Non à cette constitution européenne!
Na feira de hoje, depois de ensacar uns queijos, umas lentilhas e umas linguiças, comecei a ensacar quase involuntariamente uns panfletos distribuidos por membros do Partido Comunista Francês e do ATTAC (Association pour la Taxation des Transactions pour l’Aide aux Citoyens), sobre o plebiscito de 29 de maio, quando a França vai dizer sim ou não à Constituição Européia.
Desde o meu primeiro contato mais, digamos, "estreito" com um parisiense, que foi aquele estabelecido com o taxista que me trouxe do Charles de Gaule até o XIVéme, chamou a minha atenção o Traitée de la Constituition que o motorista trazia ao lado do seu freio de mão. Estando ali depositado o exemplar da proposta, pude entender que entre un feu rouge e outro ele era lido por esse bravo citoyen francês. Pedi pra dar uma olhadinha e tive então a primeira evidência da politização desse povo das bandas de cá. Dois dias depois, numa agência de La Poste, fui informada pelo próprio sujeito do balcão que havia à minha disposição um exemplar da Constitution. Claro, peguei pra dar uma olhada e, como sempre, também enxergando nessa leitura uma porta para a minha socialização na língua e na cultura francesa. Afinal, por que o NÃO estampado em cada lixeira da cidade?
Vendo agora os folhetos que peguei hoje na feira, convencida pelo argumento intimador e malandro do pessoal do PCF - "vous êtes une citoyénne inteligente...", parecia até que eles já me conheciam... -, devo confessar que estou pensando seriamente em ir dia 15 ao Canal Saint-Martin para ver in loco esse ritual tipicamente francês de se associar e de se manifestar quanto a tudo em termos de política. Ver com meus próprios olhos e sentir com minha própria pele esse afã de dizer SIM ou NÃO, de se sentir engajado na vida pública, ou melhor, de se perceber visceralmente implicado nas decisões e no destino político disso que se chama nação.
Acho que vou me divertir à beça, e já estou preparando o meu saco de pipoca para ir assistir os argumentos de associações como:
Agir ensemble contre le Chômage!
Appel des 200 jeunes
ATTAC
CCC-OMC (Coordination pour le contrôle Citoyen de L'OMC)
CGT
Fondation Copernic
Marches Européennes
Coordination Féministe pour le NON
Panthères Roses (humm...)
SNUipp (Syndicat national unitaire des instituteurs professeurs des écoles et Pegc)
Union des Familles Laiques (!!!)
UNEF
Union Syndicale Solidaires
et d'autres
Um resumo do sentimento geral pode ser feito com a frase de passeata de todos os "companheiros" do mundo:
"Contre cette Europe-là, une autre Europe est possible".
Tout c'est vraiment possible! Eu penso que isto é o que traduz melhor a crença francesa, produtora daquela velha máxima da revolução de 1789. E tem outra (esta transmitida oralmente - e solenemente - há séculos pelas mulheres da minha família materna, cujas origens remontam à Galia): "Voiloir c'est pouvoir", já dizia, sentenciosa, a minha tatatatatáravó. Acho que deve ser isso mesmo. Não sei... vou ver dimanche, levando o meu saco de pipoca.
Desde o meu primeiro contato mais, digamos, "estreito" com um parisiense, que foi aquele estabelecido com o taxista que me trouxe do Charles de Gaule até o XIVéme, chamou a minha atenção o Traitée de la Constituition que o motorista trazia ao lado do seu freio de mão. Estando ali depositado o exemplar da proposta, pude entender que entre un feu rouge e outro ele era lido por esse bravo citoyen francês. Pedi pra dar uma olhadinha e tive então a primeira evidência da politização desse povo das bandas de cá. Dois dias depois, numa agência de La Poste, fui informada pelo próprio sujeito do balcão que havia à minha disposição um exemplar da Constitution. Claro, peguei pra dar uma olhada e, como sempre, também enxergando nessa leitura uma porta para a minha socialização na língua e na cultura francesa. Afinal, por que o NÃO estampado em cada lixeira da cidade?
Vendo agora os folhetos que peguei hoje na feira, convencida pelo argumento intimador e malandro do pessoal do PCF - "vous êtes une citoyénne inteligente...", parecia até que eles já me conheciam... -, devo confessar que estou pensando seriamente em ir dia 15 ao Canal Saint-Martin para ver in loco esse ritual tipicamente francês de se associar e de se manifestar quanto a tudo em termos de política. Ver com meus próprios olhos e sentir com minha própria pele esse afã de dizer SIM ou NÃO, de se sentir engajado na vida pública, ou melhor, de se perceber visceralmente implicado nas decisões e no destino político disso que se chama nação.
Acho que vou me divertir à beça, e já estou preparando o meu saco de pipoca para ir assistir os argumentos de associações como:
Agir ensemble contre le Chômage!
Appel des 200 jeunes
ATTAC
CCC-OMC (Coordination pour le contrôle Citoyen de L'OMC)
CGT
Fondation Copernic
Marches Européennes
Coordination Féministe pour le NON
Panthères Roses (humm...)
SNUipp (Syndicat national unitaire des instituteurs professeurs des écoles et Pegc)
Union des Familles Laiques (!!!)
UNEF
Union Syndicale Solidaires
et d'autres
Um resumo do sentimento geral pode ser feito com a frase de passeata de todos os "companheiros" do mundo:
"Contre cette Europe-là, une autre Europe est possible".
Tout c'est vraiment possible! Eu penso que isto é o que traduz melhor a crença francesa, produtora daquela velha máxima da revolução de 1789. E tem outra (esta transmitida oralmente - e solenemente - há séculos pelas mulheres da minha família materna, cujas origens remontam à Galia): "Voiloir c'est pouvoir", já dizia, sentenciosa, a minha tatatatatáravó. Acho que deve ser isso mesmo. Não sei... vou ver dimanche, levando o meu saco de pipoca.

1 Comments:
Não se preocupe. Você vai ver manifs todos os dias. Eu gosto do pessoal do ATTAC. Me lembro que entrevistei um de seus líderes para o Jornal do Brasil. Um francês. Se você decidir entrar em contato com a Marta, combine uma ida com ela a Barbès. Vai ser une expérience incroyable... a feira e o encontro de vocês duas.
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