mardi, juin 07, 2005

Um resumo da vida que não mais espera

A Fontaine de Médici jorra há quatro séculos no Jardin de Luxembourg. Sequer moveu-se dali para dar vazão ao extravazamento da voraz Lutetia agregadora de arrondissements. A Médici da ex-Lutetia, silenciosa e constante, atrai para si silenciosas criaturas que ali vão em busca de tempos perdidos a abrir livros, fechar olhos ou beijar lábios, de qualquer modo imersas na atemporalidade que imprime o som de suas águas.

O tempo é um fator determinante. Porém, ele nada determina. Ele sim segue sem esperar nada. E, deste jeito, sem empreender qualquer esforço, vê as ninfas de Médici enlodarem-se nas vagas de sua despreocupada passagem. Talvez por isso, o tempo de fato nada veja. Nem o lodo das ninfas, nem a permanência de Médici, nem as criaturas que buscam um tempo que já se foi.

Ao redor do tempo se vão defuntos os prisioneiros do relógio que não existe ao redor da Fontaine de Médici.