dimanche, juin 12, 2005

Uma família

Uma família maronita libanesa nunca se esquece de um parente. Um parente é uma graça de Deus e ter fé em Deus é o mesmo que sentir amor. Sem amor, quer dizer, sem Deus, não há perspectiva de amanhã e a vida se reduz ao egoísmo. Não sei. E o que eu sei pouco importa diante da verdade que uma crença - qualquer que seja - é capaz de realizar no mundo: tanto uma guerra, como no Líbano e em todo o Oriente Médio, quanto um ideal de paz e união, como o que vivi hoje num encontro com a minha tia Mona, de Beyruth. Trinta anos - 30 anos!! -, todo o tempo que eu tenho de vida nos separaram até o dia de hoje, dia em que eu pude ver o que significa, na prática, o sentimento de 'família' para uma mulher que encarna em si o espírito desse "clã" católico. Nada é tão simples assim. Eu, uma brasileira de 30 anos, e Mona, uma libanesa plus agée que moi, nos abraçamos como se a distância não houvesse existido. Eu, no entanto, sabia o tempo todo que ela, a distância, estava lá. Quanto à Mona, talvez ela também soubesse mas parecia não se preocupar absolutamente com isso. No final das contas, todas as distâncias do mundo pouco importavam mesmo, pois fato era que num abraço desfizemos tudo isso. Eu era a habibi e Mona minha cherie. Entre nós e entre cafés, a distância se transformou numa grande curiosidade só possível de ser alimentada a todo instante graças à mediação de uma língua estrangeira. A língua é antes de tudo um ambiente - assim como uma casa, um bar, uma igreja, uma cour, um bazar, um salão de chá, uma mesquita, um teatro, uma rua incendiada...
e eu queria muito saber o que Mona está sentindo agora.

1 Comments:

Blogger ipaco said...

Bacana esse encontro, Sô.

4:11 AM  

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