Zaira, Zoraida e Zorahiada cresceram em sua torre de marfim na Alhambra ouvindo as histórias contadas pela discreta Kadiga. Sem saberem que se pai, o arguto sultao Mohamad, havia apelado aos conselhos do astrólogo da cidade palaciana quando do nascimento de suas três princesas, as jovens irmas estavam desde entao destinadas à vigília da guarda moura contra os sedutores chamados dos cancioneiros espanhóis.
Ao alcaçarem a idade dos ardentes desejos juvenis, as princesas quedaram em profundo desmazelo. Nao havia pérolas, ouro, distraçoes, nem qualquer outra riqueza trazida de harén mais sublime do Marrocos que pudesse aplacar a lassidao das três jovens. Apenas o amor dos três jovens cristaos espanhóis. Da Torre das Ninfas, entao, se confabulou uma fuga. Zaira, a mais velha, instigou a coragem nas duas mais novas. Zoraida, a mais bela, nao teve dúvidas, e Zorahiada, a mais jovem e tímida, incitada pelo desejo, acabou sucumbindo à culpa de burlar a guarda de seu pai e desistiu, do alto das horas, de se entregar, como suas irmas, aos apelos do amor. Desatando-se das cordas que a levariam ao lombo do cavalo do amado, Zorahiada entregou-se à solidao do castelo de Alhambra e ali padeceu jovem, curtindo no peito o amor nao vivido.
Quanto a mim, quando entrei em Alhambra e vi tudo do alto, toda a exuberância que a tradiçao musulmana imprimiu na face da Terra, tradiçao essa destinada integralmente ao cuidado e cultivo dos mistérios e das maravilhas, pensei sinceramente: "Vou me permitir imaginar que isso tudo me pertence". E nunca me senti tao bem na vida, penetrando naquela cidade antiga como uma sultana, percorrendo suas vielas, seus banhos, suas muralhas, suas torres, seus jardins e suas inúmeras fontes da água cristalina como quem também ali vivera o lúgubre de muitas das histórias ali passadas à luz de velas, na sua medina, no seu palácio, ou nas saídas das portas de ferro.
Manuel de Falla viveu ali numa das ruas da medina na década de 20 deste século.
Demain, après midi: Seville.
Ao alcaçarem a idade dos ardentes desejos juvenis, as princesas quedaram em profundo desmazelo. Nao havia pérolas, ouro, distraçoes, nem qualquer outra riqueza trazida de harén mais sublime do Marrocos que pudesse aplacar a lassidao das três jovens. Apenas o amor dos três jovens cristaos espanhóis. Da Torre das Ninfas, entao, se confabulou uma fuga. Zaira, a mais velha, instigou a coragem nas duas mais novas. Zoraida, a mais bela, nao teve dúvidas, e Zorahiada, a mais jovem e tímida, incitada pelo desejo, acabou sucumbindo à culpa de burlar a guarda de seu pai e desistiu, do alto das horas, de se entregar, como suas irmas, aos apelos do amor. Desatando-se das cordas que a levariam ao lombo do cavalo do amado, Zorahiada entregou-se à solidao do castelo de Alhambra e ali padeceu jovem, curtindo no peito o amor nao vivido.
Quanto a mim, quando entrei em Alhambra e vi tudo do alto, toda a exuberância que a tradiçao musulmana imprimiu na face da Terra, tradiçao essa destinada integralmente ao cuidado e cultivo dos mistérios e das maravilhas, pensei sinceramente: "Vou me permitir imaginar que isso tudo me pertence". E nunca me senti tao bem na vida, penetrando naquela cidade antiga como uma sultana, percorrendo suas vielas, seus banhos, suas muralhas, suas torres, seus jardins e suas inúmeras fontes da água cristalina como quem também ali vivera o lúgubre de muitas das histórias ali passadas à luz de velas, na sua medina, no seu palácio, ou nas saídas das portas de ferro.
Manuel de Falla viveu ali numa das ruas da medina na década de 20 deste século.
Demain, après midi: Seville.

1 Comments:
Feliz cumpleaños, niña! Quanto a história de amor encarcerado, é o tal negócio: carpe diem! Pois só se vive uma vez, mesmo que reencarnemos depois, não é mesmo?
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