até que nem tanto esotérica assim...
A vida segue com chuva e uma luz madrilenha, por vezes friburgal. Na cozinha há pouco com Pedro, falamos de Petrópolis e das possibilidades sempre ali de um dia habitar a montanha, chinesamente, budicamente, desenhando traços perfeitos. Um passarinho. Uma gota. Chovendo na roseira. Aranha e teia.
Entra Lisie. Falamos de Toulouse e da música occitane e nordestina. Toulouse, eu vi na TF3, é o Pernambuco da França. Zabumbas, forrós, duelos, cirandas, e o povo todo faz aquilo, aquela festa pra se dançar com a grand-mère. Pois é isso é que é: música pra todas as gerações. E todo fim de semana Lisie vai pra Toulouse, pois manteve o seu apartamento lá. E nos fez o convite: "quand vous voulez!". Calculei mentalmente e tasquei: "dia 8 de abril serve?". Talvez.
E entre talvezes a vida nos conduz do jeito que ela quer, e pensamos que somos nós, pura e simplesmente, que tomamos todos os rumos. Esquecemos que tem os astros, as estrelas, as nuvens, o sol, os líquidos seminais, os humores, a cidade. E os preços! Aí sim, caímos no mundo dos homens que só se sabem enquanto homens!
Existe algo fora do esoterismo? Estou certa que não. Somos o que Jung, no nosso século, intuiu: símbolos, água e carne. Uma pena que dessacralizaram a vida. Por isto os pés chutando cabeças, por isso tamanha militância enfurecida. Por isso o grande tema da democracia nos países democráticos em crise de identidade.
Por isso e por aquilo, eu me surpreendi hoje, em meio a uma hora deste dia de hoje contado no novo horário de primavera, eu me surpreendi sentindo a falta de uma coisa: de uma sala de aula para contemplar os franceses falando! Quase caí do banheiro! A sala de aula é parte da minha vida, mas eis que poderia ser diferente! Ou não? Ou não! A sala pode ser a cozinha. A sala tem sido a qualquer hora. A sala carrego comigo, e a porta é a boca. A chave é o sonho. A maçaneta é a coragem, é Eros, é o ímpeto.
O violino lamenta o Renascimento no meu ouvido enquanto eu nado nos odores da chuva boa que cai. Há raios de sol que explodem de um sorriso do céu.
Zeus nasceu em Creta. Foi pra lá que sua mãe, Rhéa, filha de Gaia, foi dá-lo à luz sorrateiramente para que o seu pai, Chronos, que devora todos os seus filhos, não visse que aquele menino, Deus de todos os Deuses, poria os pés neste mundo. Dia 17 de abril parto para Creta, visitar a sala de Zeus. Me aventurar nos labirintos de Creta, amarrada ao fio de Ariadne para vencer o Minotauro e sair, sã e salva, deste universo elaborado pela mitologia do ocidente grego.
É bem possível que a esta hora estudantes anti-CPE, jovens "issus de l'imigration" e os fardados da CRS estejam em pleno combate pelas ruas de Paris. Sabe o que é? É que estou alheia a esta baderna dita cívica. Quero mais que o desemprego e o Banco Mundial se amem loucamente e num gozo profundo fecundem esperanças de vida para todos aqueles que se sentem parte desse jogo.
Quanto a mim, preciso com urgência de um mapa (a bússola eu já tenho) para chegar ilesa à garganta de Samaria, ponto máximo daquela ilha mediterrânea para onde minha alma vai levar o meu corpo dentro de alguns dias.
O resto... que resto? Cada ser é uno, e entre unos sublimes, somos Tao. Respire e verás! Capes! Preciso incluir o que mais profundamente me alimenta nesse relatório ou só o feijão com arroz envernizado já te satisfaz? Cohabitação é fruto dos nossos cinco sentidos: visão, audição, olfato, palato e tato. Então, estamos descombinados e tudo fica assim: fiiiiuiiiííííí, slumptaaak, ssssiiiuuuulllllwwaaaahhhh ....
Entra Lisie. Falamos de Toulouse e da música occitane e nordestina. Toulouse, eu vi na TF3, é o Pernambuco da França. Zabumbas, forrós, duelos, cirandas, e o povo todo faz aquilo, aquela festa pra se dançar com a grand-mère. Pois é isso é que é: música pra todas as gerações. E todo fim de semana Lisie vai pra Toulouse, pois manteve o seu apartamento lá. E nos fez o convite: "quand vous voulez!". Calculei mentalmente e tasquei: "dia 8 de abril serve?". Talvez.
E entre talvezes a vida nos conduz do jeito que ela quer, e pensamos que somos nós, pura e simplesmente, que tomamos todos os rumos. Esquecemos que tem os astros, as estrelas, as nuvens, o sol, os líquidos seminais, os humores, a cidade. E os preços! Aí sim, caímos no mundo dos homens que só se sabem enquanto homens!
Existe algo fora do esoterismo? Estou certa que não. Somos o que Jung, no nosso século, intuiu: símbolos, água e carne. Uma pena que dessacralizaram a vida. Por isto os pés chutando cabeças, por isso tamanha militância enfurecida. Por isso o grande tema da democracia nos países democráticos em crise de identidade.
Por isso e por aquilo, eu me surpreendi hoje, em meio a uma hora deste dia de hoje contado no novo horário de primavera, eu me surpreendi sentindo a falta de uma coisa: de uma sala de aula para contemplar os franceses falando! Quase caí do banheiro! A sala de aula é parte da minha vida, mas eis que poderia ser diferente! Ou não? Ou não! A sala pode ser a cozinha. A sala tem sido a qualquer hora. A sala carrego comigo, e a porta é a boca. A chave é o sonho. A maçaneta é a coragem, é Eros, é o ímpeto.
O violino lamenta o Renascimento no meu ouvido enquanto eu nado nos odores da chuva boa que cai. Há raios de sol que explodem de um sorriso do céu.
Zeus nasceu em Creta. Foi pra lá que sua mãe, Rhéa, filha de Gaia, foi dá-lo à luz sorrateiramente para que o seu pai, Chronos, que devora todos os seus filhos, não visse que aquele menino, Deus de todos os Deuses, poria os pés neste mundo. Dia 17 de abril parto para Creta, visitar a sala de Zeus. Me aventurar nos labirintos de Creta, amarrada ao fio de Ariadne para vencer o Minotauro e sair, sã e salva, deste universo elaborado pela mitologia do ocidente grego.
É bem possível que a esta hora estudantes anti-CPE, jovens "issus de l'imigration" e os fardados da CRS estejam em pleno combate pelas ruas de Paris. Sabe o que é? É que estou alheia a esta baderna dita cívica. Quero mais que o desemprego e o Banco Mundial se amem loucamente e num gozo profundo fecundem esperanças de vida para todos aqueles que se sentem parte desse jogo.
Quanto a mim, preciso com urgência de um mapa (a bússola eu já tenho) para chegar ilesa à garganta de Samaria, ponto máximo daquela ilha mediterrânea para onde minha alma vai levar o meu corpo dentro de alguns dias.
O resto... que resto? Cada ser é uno, e entre unos sublimes, somos Tao. Respire e verás! Capes! Preciso incluir o que mais profundamente me alimenta nesse relatório ou só o feijão com arroz envernizado já te satisfaz? Cohabitação é fruto dos nossos cinco sentidos: visão, audição, olfato, palato e tato. Então, estamos descombinados e tudo fica assim: fiiiiuiiiííííí, slumptaaak, ssssiiiuuuulllllwwaaaahhhh ....

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