<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868</id><updated>2011-04-21T23:05:59.926+02:00</updated><title type='text'>les sans culottes</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>56</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-115475134164388173</id><published>2006-08-05T06:13:00.000+02:00</published><updated>2006-08-05T06:19:10.906+02:00</updated><title type='text'>Acari</title><content type='html'>Eu estava lendo agora uma entrevista com o Marcos Alvito no JB em que ele diz: "em Acari não vai ninguém", pois fica nos confins da Ave. Brasil, não é como a Mangueira, que tem a escola de samba, nem como Vigário Geral, que depois da chacina recebe turistas, como lembrou o Seu Paulo lá de Cordovil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje, lá em Acari, um grupo de meninos de 8, 9 anos, viu a gente passar e a agente comunitária foi falar com eles, perguntar aquelas coisas que agente comunitário sempre quer saber: "e aí? vocês estão fazendo a escolinha do Péricles?". Uns estavam, um outro disse que não. Ia jogar futebol. Eles sacaram que a Maria Pita não era daqui - e muito menos dali - pelo rosto, por alguma coisa que não era a roupa - pois ela se veste com jeans, como eu, a letícia, a própria wanda. Mas enfim, um dos meninos, quando viu confirmada a impressão, soltou: "pô, um estrangeiro na minha área", como quem sonha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se dormi duas horas e meia essa noite foi muito: aqui em frente, no front, às quatro horas da manhã rolou uma pelada. Nêgo muito doido, gritando e bicando aquela bola pra tudo quanto é portão, banca de jornal. Às 5:30, quando o 47 começa a circular, ou ouvia o ônibus freiar pois o jogo não parava. Saio por volta das 7:15 e vejo uma porçào de cadeiras quebradas, pedaços de plástico e madeira, tudo aqui na esquina, em frente a faculdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu caro, confesso que umas duas ou três lágrimas caíram depois que cheguei desse longo dia em casa, dormi e novamente acordei agora há pouco. É que é foda: em cada curva de cada beco tem um garoto com um rádio, vigilante. Essa vigilância é que mata. Um constrangimento ensurdecedor, cego, andar por Acari. Os traços do que pode acontecer são muito visíveis. Não tem um muro sem marca de tiro. E quando é de fuzil, você caminha supondo que aquele buraco ali foi só o primeiro dos outros todos que marcam a casa também por dentro. Toda casa em Acari tem um muro alto que não é só para proteger: é para esconder e para evitar muitas outras coisas. Claro que tem sempre uma dama sentada numa soleira, mão na barriga, porque como tem mulher grávida! E eu acho que muitas ali têm é gravidez psicológica, como uma das mães de &lt;br /&gt;Acari. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa mãe que conhecemos tava ali, 16 anos cultivando aquele pranto. Foto do filho, sorria mas tinha aquele olho de quem não acha graça. Só o esforço já era simpático. E soube pela nossa cicerone que o "caveirão" tava circulando. O caveirão é um carro cheio de cadáver fresco que a polícia faz circular pela favela, exibindo a renda do dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo ali já foi atravessado por alguma tragédia. Porra, é muito ruim. Tem seta apontando para Gaza. Aí dá até pra rir. Porque humor sempre existe, morre bem depois da esperança. Mas os meninos vigilantes tem um semblante muito pesado, muito desanimado, excepcionalmente descrente, fechado. Só abre com um tapa ou com uma carreira. Só ali nas bocas, no meio daqueles odores de acetona e de maconha é que se via menino rindo. Nas quebradas, com rádios, quer dizer, no posto de vigilância, de atenção, é o peso da bala. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que merda, meu amigo. Eu já estava cansada de me sentir coagida andando por aquelas vielas mas aí fomos almoçar numa birosca. Sentaram do nosso lado dois senhores. Os dois não conversavam. Não se olhavam. Ficavam olhando vagamente uma mosca, o chão. Sabe-se lá o que se passa naqueles pensamentos? Isso tudo contrastava muito com a gente. Sobretudo uma das argentinas, sorridente, falando com aquele sotaque, sem muita referência daquele mundo ali. O Rafael, bom moço, saudável. A Letícia tem um astral bom também. Eu olho pra ela e tenho certeza de que ela foi constrangida a botar certos pensamentos no saco para poder realizar o trabalho ali. Porque é difícil ver certas coisas, certos semblantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegávamos lá no final de um dos lados, na 'área do Ponto Frio', onde tem um mangue, a coisa começava a esvaziar, a ficar mais arejada, embora igualmente abandonada, com três gangorras quebradas, um balanço que, vazio, balançava no momento em que passamos como se fosse para evocar mesmo um sumiço, uma ausência. Que vida de merda. Mas seria pior se houvessem certos tipos de comparação. A gente se acostuma mesmo e é isso aí. Quando passamos pela gangorra, talvez tenha acontecido o fato que mais me marcou, apesar de toda a ambiência pela qual já havíamos passado. Um garoto, fisicamente muito parecido com o Pixote do filme do Babenco, nos ultrapassa olhando pro chão. Daquela presença eu só marquei os pés com chinelos e a calça de moletom, cada perna numa altura. Visto isso, ele dá um tapa numa das gangorras, que então tomba para o outro lado. Ele acelera o passo, ainda caminhando, e pára uns seis metros adiante do lado de um poste, na beira do meio fio, bem &lt;br /&gt;diante de nós. A Wanda, nossa guia neste passeio dantesco, pára do lado dele para nos mostrar o galpão das cozinheiras comunitárias, e por um instante eu pensei que eles podiam ser conhecidos, e aí então me permito olhar para ele. Por acaso, ele olhava exatamente para mim nessa hora, e a gente cruzou os olhos. Nitidamente percebi que havia me enganado: ele olhava de forma ameaçadora, meio puto, meio triste, não estou exagerando. Ele era um infeliz. Novamente me vi impelida a desviar a vista, fingir que o ignorava. E aquele ouro todo no peito, sobre a camisa listrada, embaixo daquele gorro preto. Aquilo reluzia, uma massa, um troço maciço no peito, amarelo, um dedo de diâmetro. A Wanda disse que ele queria mesmo era se informar sobre nós, saber o que era, vigiar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltar aquilo tudo de novo foi um suplício pra mim. É como um desfile de moda fotografado por umas pessoas ressabiadas que não entendem o que estamos fazendo ali. Multiplica a Vila Mimosa por 112. Dá Acari. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegar o metrô e voltar tudo, já com o espírito muito diferente do que aquele com o qual eu havia feito o mesmo trajeto pela manhã, era como voltar de um mercado com a sacola cheia de novas imagens e sensações. O Rio ficou escroto. Descer no Largo da Carioca com o conhecimento de mais uma conexão carioca foi ao mesmo tempo redentor e brochante. Porque ver as pessoas ali, naquele cenário do centro é uma coisa, e saber de onde cada um daqueles figurantes vem é outra. Igualzinho ao romantismo de um zoológico, quando lançamos uma pipoquinha aos macacos, um amendoim aos rinocerontes, uma uva aos jacarés e tudo parece tão perfeito, a mãe natureza tão sábia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porra, meu amigo, caralho. Não dá nem pra ter raiva, nem nenhum sentimento armado contra aqueles garotos, porque nego tá é muito entorpecido, muito fodido, muito confinado, muito 'envielado', 'embecado'. Como dizia o Manoel Bandeira: "de que me valem a baía, o outeiro, a Glória: o que eu vejo é o beco". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudades de Paris, puta que o pariu!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-115475134164388173?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/115475134164388173/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=115475134164388173' title='1 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/115475134164388173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/115475134164388173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2006/08/acari.html' title='Acari'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-115180504289627936</id><published>2006-07-02T03:46:00.000+02:00</published><updated>2006-07-02T03:50:42.910+02:00</updated><title type='text'>Thierry Henry, je t'aime</title><content type='html'>Graças a Deus acabou esta chatice de Copa do Mundo. Deus é francês e é meu amigo: hoje não teve funk embaixo da minha janela. Sim: egoismo altamente anti-patriótico! Não pertenço a pátria de chuteiras nenhuma! Se é pra escolher o calçado, vou de havaianas, ofertando loas à Thierry Henry e o Zizu bonitão. Que categoria! Até Galvão Bueno notou. Vá na fé, meu querido!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-115180504289627936?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/115180504289627936/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=115180504289627936' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/115180504289627936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/115180504289627936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2006/07/thierry-henry-je-taime.html' title='Thierry Henry, je t&apos;aime'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-114605862030621088</id><published>2006-04-26T15:17:00.000+02:00</published><updated>2006-04-26T15:56:25.306+02:00</updated><title type='text'>Viagem à Creta</title><content type='html'>O olhar de um primeiro dia procura o imperceptível, o micro, tudo o que se oculta sob a grandiosidade da paisagem ainda misteriosa. É um olhar sonhador. Tudo é para ele extraordinário na banalidade existencial...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/1600/IMG_8568.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/400/IMG_8568.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A sensibilidade do recém-chegado que pisa devagarinho no chão alheio é altamente melindrosa face aos desabafos fatigados de rudes viajantes. Sim, Creta tem uma alma. Discordo simplesmente do que disse uma viajada &lt;em&gt;d'outre mer&lt;/em&gt;. Acho mesmo que a alma que ela diz não perceber em Creta é a ausência de um artesanato exuberante que possa ser levado como &lt;em&gt;souvenir&lt;/em&gt;. Alma não se vende. Ela é perceptível aos que desenvolveram a sensibilidade para o mundo dos éteres. O labirinto para encontrá-la é naturalmente invisível. Em Creta nós o sentimos muito menos pelos seus vestígios remotos, embora seja a ilha o berço do ocidente, do que pelo barulhinho indolente dos &lt;strong&gt;komboloys&lt;/strong&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Jesus nasceu um dia, nisto não há nada de excepcional. Até o momento, e segundo o meu conhecimento, ele é o único à quem o fenômeno do renascimento se deu... Na Creta, país de uma só religião, o cristianismo ortodoxo, a Páscoa é a grande confraternização. Durante estes dias, a ilha se rende à sua real existência: um grande quintal das famílias extensas que nela habitam. Diante da importância do fato de um renascimento, os homens de Creta deixam seus cafés e integram suas famílias, com a única condição de beberem seus &lt;strong&gt;rakis &lt;/strong&gt;e seus &lt;strong&gt;ouzos &lt;/strong&gt;como se tratasse de água que passarinho bebe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por isso a hospitalidade. Ela é também sinal de orgulho, importante dizer. Creio que quanto mais ortodoxo, mais louco é o cristão, e diante das luzes que os destilados da ilha fazem colorir no universo imaginário de seus filhos, creio que ali os gregos nos abordam para simplesmente falarem grego, pois ainda que tentando dizer que para mim eles estão falando grego, em sua lógica isto é sem importância: eles falam, então, &lt;em&gt;doucement&lt;/em&gt;, senão para se fazerem entender, ao menos para mostrarem que gostariam de se fazer entender....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo à passo, jogamos no dorso da nossa experiência um cosmos de pequenos registros. Difícil é dizer: este lugar é assim. Prefiro o silêncio ao homicídio da realidade, ao assalto de sua riqueza e movimento. Neste quesito sim, me considero impressionista. Já quando o impulso me força a definir, parto do princípio, o surrealismo, e o mundo, enfim, se faz cubista. Não... não dá. Explicar é esteticamente um erro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então fica assim: um retrato é carregado de idealizações. Contudo, a face da realidade está sempre ali, refletida pelos nossos olhos que, por sua vez, são a manifestação de algum real, ainda que pequenino... No final das contas não há outro instrumento de medida da realidade que o nosso coração e desejo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-114605862030621088?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/114605862030621088/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=114605862030621088' title='2 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114605862030621088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114605862030621088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2006/04/viagem-creta.html' title='Viagem à Creta'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-114509833171786191</id><published>2006-04-15T12:29:00.000+02:00</published><updated>2006-04-15T23:02:15.123+02:00</updated><title type='text'>No labirinto do Minotauro</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/1600/lesdamesenbleu.1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/400/lesdamesenbleu.1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt; Segunda-feira, 17 abril 2006, 5:00, aeroporto de Orly. Paris-Heraklion. Creta. Zeus, Dédalo, Icaro, Ariadne, Teseu, Minos e seu palacio de Knossos. Arquiteto: Dédalo. Labirinto. Dois mil anos depois: àrabes. Quinhentos anos depois:turcos. Mais alguns séculos e: venezianos. Cinco mil anos, de Minos aos dias atuais: Soraya e Augustin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o sonho de segunda pra terça:&lt;br /&gt;"E mesmo desejando sabor de horizonte, onde noite é dia e dia é noite, Ramirez..."&lt;br /&gt;Ramirez ??&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-114509833171786191?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/114509833171786191/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=114509833171786191' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114509833171786191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114509833171786191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2006/04/no-labirinto-do-minotauro.html' title='No labirinto do Minotauro'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-114467320127512406</id><published>2006-04-10T14:42:00.000+02:00</published><updated>2006-04-10T14:46:41.300+02:00</updated><title type='text'>poissy</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/1600/IMG_8484.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/400/IMG_8484.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Primavera com amor e tungstênio&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-114467320127512406?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/114467320127512406/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=114467320127512406' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114467320127512406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114467320127512406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2006/04/poissy.html' title='poissy'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-114424508615127611</id><published>2006-04-05T15:31:00.000+02:00</published><updated>2006-04-05T15:51:26.190+02:00</updated><title type='text'>"Tuez-les tous!"</title><content type='html'>Eu realmente não entendo como alguém pode se submeter de tal modo à lógica obsessiva da segurança e não se dar conta do quão desumano se transforma o seu sorriso branco colgate! Estava um frio da porra e eu, enganada pelo sol que havia feito no dia anterior, estava com apenas um casaco por baixo de um velho blazer, algo assim meio fora de contexto para o vento que parecia sair da barreira de prédios. Bom, o tal sujeito da portaria de um prédio qualquer me disse, com um sorriso simpático, que eu não poderia esperar ali dentro pois havia câmeras de vigilância. CARALHO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei: - nem vou dizer nada, porque com o sorriso simpático que ele me deu está na cara mesmo que o imbecil não compreenderá jamais aquilo que não seja uma ordem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí, e ainda agradeci, antes de me sentir uma idiota, pela sua resposta. Pois depois de me sentir idiota, me indulgi pensando que idiota é esse mundo em que vivemos, quase sem querer, por conta de uma impreterível e involuntária condição, que é a de estarmos todos nessa aglomeração chamada Cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente descobri uma porta aberta, e era exatamente a porta do Confluences, um lugar onde são passados filmes, onde se fazem exposições de fotografia, um lugar que eu adoro, que é meio escondido, que não pretende nada a não ser mostrar o que vai pelo mundo. E ali, ontem, eu vi uma exposição chocante sobre o trabalho dos chineses na cidade de Constantine, na Algéria. Eles construíram uma espécie de Barra da Tijuca em Constantine, com torres em cores pastéis, um tremendo mauvais gout, mas é lá que vão morar os que não encontram mais espaço na cidade antiga. O mundo se equipara no mal-gosto! E os chineses, na nova ordem mundial, estão vindo com tudo, e rindo pra cacete, o que é ainda mais assustador!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi a exposição enquanto esperava o início da projeção do filme "Tuez-les tous". Uma porrada no estômago para quem quer entender o que foi aquela loucura coletiva que se passou em Ruanda, há não muito tempo, em 1994. O último genocídio do século XX. Nego matando vizinho com golpes de bastão na cabeça. Extermínio. Crianças, velhos, mulheres, grávidas ou não, homens. Ninguém estava fora. Como disse um dos genocidas, "eu estava como um cão raivoso, que salta em cima de qualquer coisa que mexe". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aspecto terrível dessa espécie que é a minha - "me dói conceber o que nos une na semente" - não havia sido ainda inteiramente exprimido pelas imagens inesquecíveis deste horror que não chegou nem à América como deveria. O pior de todo esse pior foi ver que a França e a Bélgica, países colonizadores de Ruanda, foram as causas desse genocídio que os Hutus cometeram contra os Tutsi, seus vizinhos depois de sempre! Vizinhos mesmo, de morarem na tribo ao lado, de trocarem idéias, de trocarem tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior desse pior foi ver que Miterrand recebia no Palácio d'Elysée o líder do massacre, e ainda por cima apoiava-o pois ele era considerado em Ruanda o líder legítimo (claro, a maioria do país era Hutu, e todos esses hutus se transformaram em assassinos dos Tutsi!). E a França, para não perder o seu poder naquele canto da África, enviou ainda os seus soldados para ajudarem na carnificina!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não dá. Não dá mesmo. A gente pensa estar no paraíso na Terra, afinal eu gosto muito de Paris, mas quando a gente sabe o que há embaixo do tapete desse salão maravilhoso, é de vomitar jatos de bile.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria ter motivos para pedir desculpas pela minha acidez. Mas se fizer isso, vou estar traindo o que vi ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo laico que se fundou com a República não entendeu que nele o Estado ocupou o lugar dogmático da Igreja. Pelo amor do Estado, o poder de todos, segundo o seu princípio, fica muito difícil compreender que a conta da colonização já chegou, e que tudo o que hoje há sob o rótulo de "sensible" é o clamor do garçon, um garçon que veio de África, claro, e depende desse acerto para ficar em paz em sua contradição afro-franco-arabe-muçulmana-cristã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda teve quem teve coragem de tentar forçar passar no parlamento uma lei para obrigar as escolas (republicanas, diga-se de passagem) a ensinarem através de uma reforma nos livros didáticos, que a colonização teve mais aspectos positivos do que negativos. Valha-me Zeus! Eu só posso estar delirando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-114424508615127611?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/114424508615127611/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=114424508615127611' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114424508615127611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114424508615127611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2006/04/tuez-les-tous.html' title='&quot;Tuez-les tous!&quot;'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-114383144139309709</id><published>2006-03-31T20:24:00.000+02:00</published><updated>2006-03-31T20:57:21.426+02:00</updated><title type='text'>Le mot tabou: "promulgation"!</title><content type='html'>Jacques Chirac acabou de proferir o seu discurso de nove minutos em rede nacional, a respeito de uma definição sobre o polêmico CPE (contrato de primeiro emprego). Chirac lê como ninguém. Deve ser um avô impar, exprimindo com todas as nuances de espírito os humores dos personagens dos contos de fada. A voz úmida de Chirac deu o recado com todas as letras: "la loi a été promulgué". &lt;em&gt;Et voilà&lt;/em&gt; a palavra tabu. Ele promulgou a lei de seu primeiro ministro Dominique de Villepão, porém, com todo o orvalho de sua bela voz, disse, como quem sussura no ouvido de todo e cada francês: "vou pedir ao parlamento para reduzir de dois para um ano o período de experiência e vou pedir ao parlamento para exigir que o empregador DÊ O MOTIVO da demissão". Aahhh booommm....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nove minutos. Recado dado e, imagino eu, helicóptero levantando poeira. Resta na praça da Bastille milhares de estudantes em fúria. Em fúria, não se trata de outra coisa. Um debate seguiu na rádio entre um líder do Partido Socialista de Seine-Saint-Denis, uma líder dos estudantes de segundo grau, e ainda teve uma nota para a chacrete Sarkozaça. O primeiro disse que Chirac deu uma declaração para manter o seu primeiro ministro no cargo, pois este fez beicinho e ameaçou cair fora caso a lei não fosse promulgada. O PS vai sustentar a greve de terça-feira, 04 de abril 2006, agora de maneira massiva. Mas pede aos líderes estudantis que não façam uso da violência. Há Há Há. Justo em seguida, a líder dos &lt;em&gt;lycées &lt;/em&gt;começou a emitir sua opinião em pleno calor emocional da Praça da Bastille dizendo que a declaração de Chirac tinha sido uma "provocação". A França vinha de se transformar, com isto, numa &lt;em&gt;cocotte minute&lt;/em&gt;. Ou, em bom português, numa panela de pressão. A moça, esgoelando-se ao microfone, fez uso da palavra que arranha meus ouvidos como chapinha de refrigerante arrastando no cimento: "&lt;em&gt;nous sommes en colère&lt;/em&gt;!!!!"&lt;br /&gt;Outro jovem encontrou, rapidamente, um rótulo para a já rotulada Geração CPE: "&lt;em&gt;nous sommes une generation sacrifié&lt;/em&gt;". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pôxa, ainda bem que eu caí do bico da cegonha em agosto de 1974! Eu hein! Um atraso na queda e eu corria o risco de dar pinta de &lt;em&gt;bouc émissaire&lt;/em&gt;! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuando na fogueira: Sarkozaça, ele também com toda a sensualidade da língua francesa nos ouvidos de uma lusófona, disse que saldava a decisão do presidente. Era mesmo uma declaração de maturidade e de &lt;em&gt;sagesse&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema disso tudo é que esperei até agora para apresentar o meu trabalho no curso de antropologia de Paris X-Nanterre, e exatamente no dia 04 de abril! Será que não seria isto um prenúncio enigmático e divino sobre minhas especulações sociológicas? Logo eu, que queria desenvolver a idéia de uma &lt;strong&gt;incivilidade forjada &lt;/strong&gt;no seio da emblemática universidade de Nanterre, aquela do maio 1968. Logo no dia da minha triunfal apresentação sobre o &lt;em&gt;terrain &lt;/em&gt;numa &lt;em&gt;cité &lt;/em&gt;cariôcá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só me resta pedir mais uma bolsa para o ano que vem. E rezar para que o agito seja em outro terreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só para lembrar: o CPE é apenas um dos ítens de um contrato maior, chamado &lt;em&gt;Contrat d'Égalité de Chances&lt;/em&gt;. Imagina só o tamanho desse bode preto, hã...haja feno e queijo pras barricadas!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-114383144139309709?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/114383144139309709/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=114383144139309709' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114383144139309709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114383144139309709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2006/03/le-mot-tabou-promulgation.html' title='Le mot tabou: &quot;promulgation&quot;!'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-114381673053305667</id><published>2006-03-31T16:42:00.000+02:00</published><updated>2006-03-31T16:52:10.553+02:00</updated><title type='text'>minha prima vera amarela</title><content type='html'>Um dia, sentada aos pés do Cedro do Líbano, eu o vi me observando e pensei se tratar de uma aparição. Voltei à leitura, mas permaneci com o pensamento nele. Levantei os olhos e ele continuava lá, me olhando sobre a grama como quem contempla o paraíso. Havia raios de sol e passarinhos. Me escondi novamente na leitura. E meu pensamento continuava nele. Levantei de novo a pupila mas desta vez estava lá o vazio. Devido a aparição daquele semblante em êxtase, passei a identificar a figura daquele senhor encarregado de um trabalho de sonhos: o de jardineiro do parque Montsouris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/1600/IMG_8462.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/400/IMG_8462.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-114381673053305667?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/114381673053305667/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=114381673053305667' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114381673053305667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114381673053305667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2006/03/minha-prima-vera-amarela.html' title='minha prima vera amarela'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-114355949223455462</id><published>2006-03-28T17:00:00.000+02:00</published><updated>2006-03-28T17:24:52.326+02:00</updated><title type='text'>até que nem tanto esotérica assim...</title><content type='html'>A vida segue com chuva e uma luz madrilenha, por vezes friburgal. Na cozinha há pouco com Pedro, falamos de Petrópolis e das possibilidades sempre ali de um dia habitar a montanha, chinesamente, budicamente, desenhando traços perfeitos. Um passarinho. Uma gota. Chovendo na roseira. Aranha e teia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entra Lisie. Falamos de Toulouse e da música occitane e nordestina. Toulouse, eu vi na TF3, é o Pernambuco da França. Zabumbas, forrós, duelos, cirandas, e o povo todo faz aquilo, aquela festa pra se dançar com a grand-mère. Pois é isso é que é: música pra todas as gerações. E todo fim de semana Lisie vai pra Toulouse, pois manteve o seu apartamento lá. E nos fez o convite: "quand vous voulez!". Calculei mentalmente e tasquei: "dia 8 de abril serve?". Talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entre talvezes a vida nos conduz do jeito que ela quer, e pensamos que somos nós, pura e simplesmente, que tomamos todos os rumos. Esquecemos que tem os astros, as estrelas, as nuvens, o sol, os líquidos seminais, os humores, a cidade. E os preços! Aí sim, caímos no mundo dos homens que só se sabem enquanto homens!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe algo fora do esoterismo? Estou certa que não. Somos o que Jung, no nosso século, intuiu: símbolos, água e carne. Uma pena que dessacralizaram a vida. Por isto os pés chutando cabeças, por isso tamanha militância enfurecida. Por isso o grande tema da democracia nos países democráticos em crise de identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso e por aquilo, eu me surpreendi hoje, em meio a uma hora deste dia de hoje contado no novo horário de primavera, eu me surpreendi sentindo a falta de uma coisa: de uma sala de aula para contemplar os franceses falando! Quase caí do banheiro! A sala de aula é parte da minha vida, mas eis que poderia ser diferente! Ou não? Ou não! A sala pode ser a cozinha. A sala tem sido a qualquer hora. A sala carrego comigo, e a porta é a boca. A chave é o sonho. A maçaneta é a coragem, é Eros, é o ímpeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O violino lamenta o Renascimento no meu ouvido enquanto eu nado nos odores da chuva boa que cai. Há raios de sol que explodem de um sorriso do céu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zeus nasceu em Creta. Foi pra lá que sua mãe, Rhéa, filha de Gaia, foi dá-lo à luz sorrateiramente para que o seu pai, Chronos, que devora todos os seus filhos, não visse que aquele menino, Deus de todos os Deuses, poria os pés neste mundo. Dia 17 de abril parto para Creta, visitar a sala de Zeus. Me aventurar nos labirintos de Creta, amarrada ao fio de Ariadne para vencer o Minotauro e sair, sã e salva, deste universo elaborado pela mitologia do ocidente grego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bem possível que a esta hora estudantes anti-CPE, jovens "issus de l'imigration" e os fardados da CRS estejam em pleno combate pelas ruas de Paris. Sabe o que é? É que estou alheia a esta baderna dita cívica. Quero mais que o desemprego e o Banco Mundial se amem loucamente e num gozo profundo fecundem esperanças de vida para todos aqueles que se sentem parte desse jogo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a mim, preciso com urgência de um mapa (a bússola eu já tenho) para chegar ilesa à garganta de Samaria, ponto máximo daquela ilha mediterrânea para onde minha alma vai levar o meu corpo dentro de alguns dias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto... que resto? Cada ser é uno, e entre unos sublimes, somos Tao. Respire e verás! Capes! Preciso incluir o que mais profundamente me alimenta nesse relatório ou só o feijão com arroz envernizado já te satisfaz? Cohabitação é fruto dos nossos cinco sentidos: visão, audição, olfato, palato e tato. Então, estamos descombinados e tudo fica assim: fiiiiuiiiííííí, slumptaaak, ssssiiiuuuulllllwwaaaahhhh ....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-114355949223455462?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/114355949223455462/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=114355949223455462' title='1 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114355949223455462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114355949223455462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2006/03/at-que-nem-tanto-esotrica-assim.html' title='até que nem tanto esotérica assim...'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-114349569554646854</id><published>2006-03-27T23:31:00.000+02:00</published><updated>2006-03-27T23:49:21.196+02:00</updated><title type='text'>urbanitas</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/1600/IMG_8375.1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/320/IMG_8375.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/1600/IMG_8375.1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/320/IMG_8375.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/1600/IMG_8375.1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/320/IMG_8375.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-114349569554646854?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/114349569554646854/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=114349569554646854' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114349569554646854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114349569554646854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2006/03/urbanitas.html' title='urbanitas'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-114132081235586620</id><published>2006-03-02T17:56:00.000+01:00</published><updated>2006-03-02T22:39:50.863+01:00</updated><title type='text'>Exótico é a p...!</title><content type='html'>Meu amigo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, lendo os escritos de Michel Leiris sobre a sua primeira viagem à Africa, onde passou pelo Senegal, Sudão e Etiópia ao longo de dois anos, revi a sorte que tive de encontrar Ela ontem. Você já sabe o valor que dou aos encontros. M. Février me diz que sou &lt;em&gt;mystique&lt;/em&gt;. Em contrapartida, eu vejo nele um &lt;em&gt;alchimiste&lt;/em&gt;. Os franceses também têm o seu charme. Todo povo tem o seu, quando passa ao largo dos estereótipos de "charme" ou de "exotismo". Nesse mundo moderno cada vez mais eu me encontro entre os animistas. Eu vou para a África. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo camaronês, da tribo do porco e cultuador do Iboga, aquele homem bem vestido, esportivo e mestre em finanças que almoçou ontem comigo, foi muito generoso. O futebol é um balé. Disse que concordo, e foi por isso que jamais esqueci o nome de &lt;strong&gt;Roger Mila&lt;/strong&gt;, a Isadora Duncan dos campos de Camarões. Ele, meu amigo Ela, ria a cada lembrança do que me falava. Narrando tomava novamente consciência da sua África Central. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;la vie pour nous est simple&lt;/em&gt;"; "&lt;em&gt;on danse beaucoup&lt;/em&gt;"; "&lt;em&gt;on aime les boissons&lt;/em&gt;"; "&lt;em&gt;on a des boisssons pour se devenir invisible, pour chasser&lt;/em&gt;"; "&lt;em&gt;ma grand-mère n'a jamais eu de montre, elle connaissait les moments par les chants des oiseaux&lt;/em&gt;"; "&lt;em&gt;nous sommes attachés à la nature&lt;/em&gt;"; "&lt;em&gt;les pigmeux sont beaux&lt;/em&gt;"; "&lt;em&gt;ils aiment la nature&lt;/em&gt;"; "&lt;em&gt;nous sommes interdité de nous marrier entre nous&lt;/em&gt;"; "&lt;em&gt;entre tout les tribus il n'y a pas de guerre&lt;/em&gt;"; "&lt;em&gt;c'est faux ce qu'il disent sur les problèmes entre les tribus&lt;/em&gt;"; "&lt;em&gt;c'est pas encore: l'Afrique est tribal&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michel de Leiris expõe em uma conferência - ele também não era afeito às exposições orais - que o que se chama progresso é a extinção do homem integral. A ayahuasca e igualmente o iboga são &lt;em&gt;professores&lt;/em&gt;. Dizemos em bom português que são plantas enteógenas - que em grego quer dizer "deus dentro". O culto aos mortos na África não é o chorar misérias na beira do túmulo de alguém que, partindo, leva do mundo uma parte de nós. Na África os mortos são espíritos e estão presentes. No Santo Daime a bebida sagrada &lt;em&gt;ayahuasca &lt;/em&gt;é o vinho dos mortos. Não estamos sós. E vemos. Não cabe aqui fazer uma exegese com os instrumentos do racinalismo que herdamos das ciências do velho mundo. Fato é que o mundo é outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, já no café diante de Ela, olhei a fila formada por uma jovem família francesa. Os meninos lourinhos bem equipados para o frio, casacos de nylon, solados de borracha e couro, cachecóis e bochechas e dentes de uma boa nutrição. Entraram olhando tudo, como que reparando. Não olham olhando. E Ela ria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou anotar aqui um trecho da conferência de Leiris, quando ele cita um ensaista senegalês, Alioune Diop, que diz que há ali "&lt;em&gt;la présence au concret et à la succulence immédiate de la vie&lt;/em&gt;" (LEIRIS, em 1948, mas na página 884). &lt;em&gt;Autrement dit&lt;/em&gt;, o escritor africano mencionava o contato com as coisas, a fusão com a natureza que nós, civilizados, perdemos, tão preocupados que estamos com uma exploração racional das coisas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que dizia &lt;strong&gt;Pierre Fatumbi Verger&lt;/strong&gt;, respondendo ao Gil lá na Bahia: "eu sou um racionalista francês idiota, não tenho a capacidade de entrega dessa gente. Não participo da possessão", para morrer dois dias depois, feliz da vida, em meio daquela gente do candomblé que ele adorava. Bom, chaqu'un son café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só sei que na Bélgica, numa cerimônia do Santo Daime com um padrinho vindo diretamente do Juruá, tombei duas vezes. E no final, a gente acha bom. Deve ter algo aí, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li sobre o Iboga. Seus princípios se assemelham aos do nosso jagube. A substância que nos proporciona o sentimento do nosso corpo é inibida. Assim, deixamos a existência corporal e nos entendemos numa existência completamente outra. Somos o que somos capazes de sentir, sem a experiência do corpo. Eu conheço isso. Sem o conhecimento científico por trás, é o que se chama de xamanismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, no Sudão muçulmano eu vou encontrar os problemas de coabitação num campo de refugiados que em muito pode me ajudar existencialmente e, por conseguinte, para o desenvolvimento da minha pesquisa. A gente sempre se ajuda reciprocamente sem querer, sempre sem querer. Eles lá no norte do país estão numa situaçào que se diz provisória há 20 anos. Não são os parques proletários. Têm outro nome, e não são provisórios. Isso é que é eufemismo e ambiguidade à toda prova! E a gente vive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, obrigada pelo teu carinho. A lembrança da possibilidade de ir pra Angola em novembro, às 3:00 da manhã de ontem, finalizou o dia com um gol de bicicleta, e lá naquele cantinho onde a coruja dorme. Poxa, vida...tenho anotado esses dias especiais em Paris. E eu que pensava que aqui estaria entre parênteses nas minhas incursões etéreas. Eu não poderia sequer imaginar. Olha...e eu pensava que era crente. Mas a natureza tem feito muito por mim, ca-ra-lho .&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-114132081235586620?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/114132081235586620/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=114132081235586620' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114132081235586620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114132081235586620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2006/03/extico-p.html' title='Exótico é a p...!'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-114131241068590228</id><published>2006-03-02T16:09:00.000+01:00</published><updated>2006-03-02T16:13:30.686+01:00</updated><title type='text'>Momo ou Noel ?</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/1600/IMG_8286.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/400/IMG_8286.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-114131241068590228?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/114131241068590228/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=114131241068590228' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114131241068590228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114131241068590228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2006/03/momo-ou-noel.html' title='Momo ou Noel ?'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-114131150550215629</id><published>2006-03-02T15:53:00.000+01:00</published><updated>2006-03-02T16:08:44.720+01:00</updated><title type='text'>iboga</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/1600/iboga.0.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/400/iboga.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-114131150550215629?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/114131150550215629/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=114131150550215629' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114131150550215629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114131150550215629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2006/03/iboga.html' title='iboga'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-114131119638239197</id><published>2006-03-02T15:46:00.000+01:00</published><updated>2006-03-02T16:06:31.846+01:00</updated><title type='text'>Miroir de l'Afrique</title><content type='html'>Querido Monsieur Arlequim, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente hoje fui tratar do sangramento no meu nariz. Ensaiei o serviço de saúde pública, o Centre Medical Saint-Marcel. Às 8:20 da manhã estava lá eu, uma senhora africana com seu filho ou neto, uma senhora marroquina muçulmana com sua filha e com sua netinha, três romenos de voz grave que falavam sem parar entre eles, uma jovem "issu de l'imigration africaine" e um outro homem noir. Na sale d'attente não havia, de fato, nenhum francês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A enfermeira me chamou pelo nome, sem pronunciar o nasal de "mões". Aqui, "simões" e "seleção" ganham um tom de canard formidável. Segui a dona, dei minhas coordenadas a ela, e quando ela me perguntou se eu tinha a securité sociale, apresentei o meu papel. Ela riu, disse acreditar em mim: não era preciso comprovar nada. Aquele centro de saúde era gratuito e atendia indiscriminadamente de "sans papier" e "clochards" aos enquadrados nas normas da lei. Entre todos, porém, pelo menos o que me foi dado ver, 100% eram estrangeiros. Logo... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando voltei para a sala de espera, observei os africanos que aguardavam comigo. Concentrei a atenção sobretudo àquela senhora de turbante colorido e à duas outras, que chegaram depois, uma delas com traços de cortes no rosto - iniciáticos ou "continuáticos", pouco me importava. Fato era que observava aquela salinha fria, com algumas cadeirinhas, onde sentavam bundas de crenças e trajetórias que, ulaláaaah, só deus sabe como foram parar ali. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As damas africanas sempre me parecem muito presentes. Ao contrário das damas francesas que vemos nos ônibus, ora lendo, ora olhando pela janela com o pensamento longe dali, as damas africanas estão sempre no ato. Elas não chafurdam em páginas de qualquer análise social, de nenhuma literatura, muito menos dos faits-divers de jornais ou dos últimos lançamentos da moda e da cosmetologia das revistas femininas. As damas africanas, pele de rainhas, restam ali, firmes e fortes, olhando o presente, o que se faz no momento exato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observava estas senhoras. A que estava acompanhada largou a sobriedade da espera e abriu um sorriso largo com o que seu filho (ou neto) acabava de lhe dizer. Mais ainda: ela levantou e o abraçou. Meu coração batucou e eu sorri também. Acho bonitas as manifestações de carinho, sobretudo quando tenho a sorte de ver o momento da explosão, também chamado de espontaneidade. O gesto que vira me levou à meditar sobre o respeito que as gerações africanas mais jovens parece portar aos mais velhos. E fiquei com a impressão que talvez também viesse disto o semblante de estabilidade, compenetração, sabedoria e, principalmente, de temperança desses pretos velhos d'ailleurs. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A enfermeira entrara novamente na sala, e chamou pelo nome uma mademoiselle Bambalah, um monsieur Kyostovski. O "meu" doutor, otorrino-laringologista, chegou em seguida e a mademoiselle "simôes" foi convocada. Abri as narinas, a boca, mostrei os ouvidos, peguei a receita e fiquei de voltar semana que vem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitei o sol lindo das 9:20 da manhã, a neve ainda sobre a cidade, e fui à Gibert dar uma olhada na sessão de etnologia. Fiz uma foto da entrada da loja: uma fila de senhores e senhoras envolvidos por manteaus, escondidos por luvas e protegidos por boinas aguardava em frente à porta. Novamente me integrei à um grupo que aguardava. Desta vez um pouco diferente: sobre a calçada, sob o sol, e monocultural - não fosse minha presença entre "eles".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta se abriu. Entramos como em procissão. Escada rolante, primeiro andar ficando pra trás, vi a estante da Pleiade d'occasion ficando pra trás, mais tant pis: par contre eu me aproximava da estante de etnologia. Àquela hora, certamente, era estaria todinha pra mim. Pensava em Griaule. Me coloquei diante da estante, olhei as etnologias do mundo separado em continentes: Asie, Amerique, Europe, Oceanie, Afrique. Olhei o que se tinha sobre "nós", mas não quis saber mais do que isso. Dei um passo à esquerda e me abaixei diante de l'Afrique. Griaule estava ao lado de Michel Leiris. Peguei o Les Flambeurs d'Homme, de Griaule, e vi que ele citava Salassié em seus agradecimentos. Juntei algum léu-com-créu. Neste livro Griaule envereda pela Etiópia em pleno período facista italiano. Juntei algo mais para futuras costuras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei Leiris na estante. Um livro imenso, papel de bíblia, Miroir de l'Afrique. Na contracapa li que "nós pilhamos os negros para ensinar etnografia aos nossos alunos que futuramente vão aprender também à 'amá-los' e a pilhá-los". O livro concentrava, além deste pequeno trecho de um texto ali contido, o l'Afrique Fantôme, La Possession et ses Aspects Thêatraux chez les Éthiopiens de Gondar, Afrique Noir: la Création Plastique, entre outros textos, correspondências e documentos. Vi que o ivro estava um pouco blessé na lombada. A vendedora me fez um desconto de 20%. Ela sim, se preocupa com o futuro da antropologia francesa! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei momentaneamente de lado o Griaule e empacotei Leiris. Abaixei novamente para ver o que me espreitava: uma estante com uma coleção de livros inéditos. Meus olhos bateram no nome de Emile Zola, título: Carnets d'enquêtes - Une ethnographie inédite de la France. Nem olhei preço: pra dentro! Sobre o livro, te escreverei em breve um novo e-mail, mas já posso te adiantar, meu amigo, que se trata de uma pérola rara. Cadernos de campo de Zola em suas deambulações por Paris, pelos mesmos 'coins' que me foi dado visitar pelas mãos e pelos passos de M. Février. Que luxo. Começo a achar que eu mereço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa ia indo de vento em popa. Vi a tradução francesa de Hans Staden, que contava para Augustin há algumas três semanas, e me decidi por fazêr-lhe um cadeau. Em francês ficou assim: Nus, Feroces et Anthropofages. Para Ketia, que faz anos dia 03, ensaquei um Capitães de Areia, do AMADO, Jorge. Salve Jorge! Por ser data especial, ela acabou levando - ainda não sabe - um disco do Gil. Sábado rolarão carinhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei minha marcha matinal chez Gibert e um chamado me conduziu à parte dos livros esotéricos. Teve jeito não: entre Martine Segalen e Pierre Riffard, fiquei com o segundo. Trabalho muito concentrada nos problemas urbanos e tenho vontade de saber como esses homens que estão aqui e acolá se diferenciam no que não manifestam nas palavras dadas ao vento. Era a hora de presentear o meu espírito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava de bom tamanho. Caixa, euros torrados e um sentimento de pairar acima da vida ordinária. Afinal, eu podia passar a carte bleu e pagar uma pequena fortuna em livros que jamais estarão em listas de revistas semanais. No saco ia o passaporte com visa universal e um bilhete para Hes. A mão que segurava o saco portava um corpo cujos pés pisavam em estrelas no trottoir das vitrines de 'fring' de um boulevard Saint-Michel evacuado das livrarias de renome de antanho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fontaine de Médicis. É lá o meu coin secreto. Sentei ao lado da neve, os passarinhos vieram cantar nos meus pés. Os passarinhos são franceses: destemidos, dão pitaco em tudo, falam sem parar. Mas são passarinhos, é gostoso ouvi-los, ainda mais assim tão de pertinho. Abri um dos meus presentes, li. Encontrei algumas de suas palavras sobre a palavra no L'Ésoterisme. Mestre, o mundo muçulmano, hindu, mesopotâmico, soufi, gnostico, cristão, xamânico japonês, taoista, confuciano, tântrico, branco &lt;br /&gt;ou iboga (ou IBOGA) estão todos na tua sabedoria universal, meu querido professor de antropologia. Amém! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20 pra uma, 21 vers restaurante de la cité. Fome negra. Entro no RU e me sento com dois jovencitos chineses, que me desejam bonne apetite e partem com um au revoir. Fico só na table ronde, até que chega um sujeito. Era um negão. Senti que algo estava en train de se manifestar. Ele ajeita seu manteau, coloca a pasta na cadeira ao lado, perfila a bandeja. Uma preparação banal para o repas. Noto que antes de pegar nos talheres ele faz um sinal da cruz e numa passada rápida de olhos ele vê que eu o vejo. Ofereço-lhe água, lhe sirvo, e a pergunta vem imediatamente em seguida: "vous êtes...." - "bresilienne", respondo. Claro, porém pas evident, &lt;br /&gt;retruco: "et vous?". - "Cameroon". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali la poooorte s'ooouuuvre... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Brésil? J'envie d'aller là bas. Il y a beaucoup d'africaines au Brésil, non? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu, há pessoas por aí também orgulhosas de suas racines. A associação Brasil-África parecia ali inevitável. Talvez fosse já a manifestação que comecei a gerar e gerir desde a manhã do dia de hoje. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse eu que conheci o Camarões através Roger Mila. Eu adorava Roger Mila, e torci pela equipe camaronesa naquela Copa de não sei quando. Ele tira uma revista de futebol da bolsa e me mostra uma fotografia de Roger Mila jantando com uma equipe chinesa em 1973. Equipe chinesa? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comensal en face se engajou inteiramente e rapidamente na conversa. Perguntou de qual cidade eu era: Rio de Janeiro. "Ça veut dire rivière de janvier?". Eu disse oui. Ele me disse que em Camaròes também foram os portugueses que deram o nome, no século XVI: Rio de Camarões. No caso deles, tratava-se de um rio de fato, e cheio de crevettes, como ainda hoje. Ele estabeleceu inumeras correspondências entre os frutos e a gastronomia do Camarões e a brasileira. Me falou das bebidas (vinhos e licores) produzidas com a polpa da palmeira de açaí. Me contou dos pratos feitos à base de mandioca, banana, peixe. Disse que ele tinha um cacaueiro desde pequeno, &lt;br /&gt;presente do seu pai. E me contou sobre o cacau, sobre o cultivo, sobre o gosto, sobre os procedimentos de colheita, secagem e uso. Sem piscar, ele passou a descrever que na sua tribu, e nas tribos africanas de maneira geral, os mais velhos são absolutamente venerados pelos mais novos. Não era possível. Apresentei a ele o que havia pensado hoje cedo na sala de espera do Centre Medical Saint-Marcel. Ele me corrigiu: "il ne s'agit pas de respect à des regles. Pour nous, c'est naturel considerer les gens agées. Ils ont déjà vecú, ils ont déjà vu". Et voilà: eles VIRAM. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ELA, seu nome. Ela me disse que as tribos são muito próximas da natureza. Então, eles não precisavam de muito. Para ele, a vida é simples - frase esta que repetiu diversas vezes para me introduzir em cada aspecto do que queria me contar sobre sua vida em Camarões. "La vie est simple, on l'observe beaucoup". Sua vó, por exemplo, nunca precisou de relógio: ela ouvia os passarinhos e sabia, por cada canto, qual era o momento do dia. "c'est simple, mais demande l'observation, quand même". Ele versava sobre o que senti vendo as damas africanas na sala de espera! Sem querer, ele falava também de Ogotemêli ! Ele falava era da África ! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tentou outro modo de me dizer as coisas simples. "Les français, par exemple". Com esse sujeito de comparação, ele começou a me apresentar suas impressões sobre essa estranha sociedade no seio da qual me encontro. Para ele os franceses não valorizavam os mais velhos de suas famílias. Um menino ou uma menina não precisavam saber a história de seus antepassados. Isso não é o mais importante para um casal de pais franceses. São outros os valores transmitidos para que essa criança siga seu caminho no mundo, segundo Ela. "Vous m'avez expliqué que votre prenom est à cose de vos ancêtres, votre grand-mère paternal et les parents de votre grand-père paternal aussi étaient libanaises. Vous connaissez vos racines". Eu sorri. Eu sorri, ora! Ele, ou melhor, Ela reconhecia na transmissão de um valor de minha família um valor fundamental em sua tribo, naquele continente onde passei a manhã. E continuou: os franceses não se importam com seus velhos. Em Nice, onde ele estava fazendo seu DEA em Finanças, em Nice faz calor, e os velhos ficam esquecidos nas casas de repouso, expostos nus nas varandas, aos cuidados das enfermeiras com as quais não têm qualquer vínculo histórico. Os franceses são tristes, para Ela. E racistas. A colonização se resume em: em te dou, se você me der. Mas se você não me der, eu pego. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A colonização colocou fronteiras onde não existiam, e ignorou as existentes. A África é tribal. "Encore aujourd'hui", eu disse. E ele me respondeu: "pas encore aujourd'hui. C'est comme ça". Minha cabeça evolucionista caiu definitivamente ali. A burocracia afastou tentou afastar o homem tribal da natureza, mas isso não acontece totalmente em toda a África. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A burocracia não reconhece os "guerriseurs". O homem fica doente e vai ao hospital. Mas se ele tem uma família, ele pode ser indicado à um curandeiro, a um feiticeiro que vai dizer seu nome sem o conhecer. Aí ele me falou do IBOGA. Sua tribo faz o Iboga. Sua tribo é a dos "cochons", é a tribo do porco. Mas eles comem o porco, e toda carne de caça. Sua tribo existe também entre os pigmeus. Os pigmeus são maravilhosos, ele me disse. E eu ri e contei pra ele que existe no Brasil um programa de entrevistas (O Jo Soares) onde uma vez foi lá a organizadora de um grande festival de "música do mundo", que levou com ela um grupo de 15 músicos pigmeus. "Todos se sentaram no chão, com as pernas esticadas. Eu vi aquela gente ali, num studio cheio de luz artificial e pensei - mas o que é que eles estão fazendo ali!". Ele riu muito e reforçou que eles realmente são muito ligados à natureza. Sua tribo, então, é a do porco. Mas havia entre eles pessoas da tribo do "foie d'elephante", a tribo do "fígado de elefante", e que todas essas tribos &lt;br /&gt;coabitam tranquilamente, pois uma das regras é se casar com pessoas que não sejam da mesma tribo. "Ça que tu me raconte me semble trés beau, Ela. C'est une ouverture!". Ele disse, "voilà, c'est une ouverture". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela lembrou-se de me dizer que eles produzem muitas bebidas alcóolicas. E aí ele riu, e começou a enumerá-las. E explicou porque ria: era porque conversando comigo ele se dava conta de como eles gostam de beber e de dançar. "Par exemple, pendant le jour, tu peux voir les gens dans les bars des villages en dansant". E versou algo sobre o barulho, dizendo que para eles não importa o barulho que você faça. Se voce quer ficar quieto no seu canto ninguém vai te perturbar, mas o "normal" é a reunião, a festa, são as coisas simples da vida, como o nosso encontro ali na mesa do restaurante universitário, por exemplo. Me lembrei da Cruzada. Mais precisamente da &lt;br /&gt;"cruzada contra as manifestações festivas" naquele conjunto habitacional do Leblon, no Rio de Janeiro, onde a festa, a bebida e o barulho ganharam conotações de imoralidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me disse que eu serei uma benvinda em sua casa no Camarões. Ele, Ela, continuou dizendo que gostaria de me rever. Mostrei para ele o livro do Michel Leiris que acabara de comprar. E ressaltei que para mim também a vida era feita desses encontros formidáveis, e que hoje, especialmente, estava me sentindo muito feliz desde cedo com as observaçoes que estava fazendo ao longo de minha journée. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me contou um pouco mais sobre o Iboga. Eles pegavam uma colher de café e colocavam nela uma dose de uma mistura feita com a raíz do 'ngosso', chamada 'ha-a'. Pela sua descrição, me lembrei da ayhuasca, e contei pra ele que no Brasil eu participava de cerimônias que eram assim: e descrevi a mistura indígena, kardecista e católica que foi feita nos confins da Amazônia por um velho seringueiro do Maranhão, filho de escravos libertos. Ele me disse que se assemelhava bastante ao iboga, e me contou mais sobre os feitiços e curas. Há poções que nos tornam invisíveis, poções sobretudo utilizadas para a caça, para que um elefante, por exemplo, não perceba a presença do caçador. E que nos cultos há um momento onde "a porta se abre". Péra aí: a imagem da porta está também no esoterismo que frequento, e está também em todos os lugares onde existe este elemento - a porta - utilizado para separar ambientes. E Ela complementou: em Camarões há muitos ambientes, "il &lt;br /&gt;y en a plusieurs, plusieurs!". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento Philippe, meu amigo francês com quem um dia de maio do ano passado almocei no mesmo restaurante e que, depois dos "d'où est-ce que tu vient" e que tais, descobrimos que ambos conhecíamos o Santo Daime e éramos antropólogos, Philippe chega para me dizer que estava ali com Kaivan, nosso yogui iraniano. Ela me disse que vai me dar de presente um livro de um escritor do Camarões que narra as mudanças cotidianas que a colonização fez trucidar naquele universo simbólico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me convidou para um café. Disse que ia dar um "coucou" aos meus amigos e que nos encontraríamos no café. Falei com Philippe e Kaivan da maravilha que vinha de acontecer, e eles também foram nos encontrar no café, pois Philippe estuda os ritos de possessão, esteve no Gabão e conhece o Iboga. Tanto ele quanto Kaivan tomaram outra vez a raíz do 'ha-a' com um feiticeiro que veio do Gabão à Paris. Nos encontramos todos, então, no café e Philippe, etnólogo bem francês, começou a interrogar Ela como se fosse um agente da Gestapo. Ela ria com o seu interrogatório e tentava dizer que as coisas não se passavam nessa ordem que ele tentava explorar. Eu e Kaivan aproveitamos para "faire foutre", doucement, Philippe. Posso te dizer que Ela vai telefonar amanhã para o seu irmão no Camarões e pedir para ele comprar 300 gramas da raíz para que façamos juntos um rito aqui em Paris. Mas não se preocupe, mestre, pois o 'ngosso' é permitido na França, e a exportação do Camarões é igualmente permitida. A exportação é interditada apenas do Gabão, por ordem das leis locais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No café, Ela ainda falou que a poligamia é legítima entre eles, desde que seja com o acordo da primeira mulher. "Mais elles n'acceptent jamais". E eu quis saber um pouco mais como isso se passava, pois sempre tive curiosidade de saber como se geria o ciúme. Ou se o ciúme era um sentimento dos ocidentais, surgido da um sentimento de posse associado às sociedades onde a propriedade era regida segundo certos princípios. Felizmente Ela me indulgiu: "pas de tout!". Os homens forçam a primeira mulher a aceitar as outras que chegam, e entre elas há uma constante tensão. Este ideal da família poligâmica onde a paz reina entre todas é apenas um ideal. Ufa! &lt;br /&gt;Posso continuar a mostrar as minhas garras sem medo nem culpa. Agora fodeu! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, maître, estou querendo escrever a minha tese. Cada vez mais eu vejo que fiz a escolha certa, pois não poderia trilhar um caminho melhor que me pudesse franquear, ou melhor, 'casar' uma busca espiritual com uma busca científica de compreensão dessa espécie à qual pertenço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou deixar os celenterados e as gramíneas para a próxima encarnação! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;sòi Dá g'òi vê hoa Lan&lt;/em&gt;, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soraya &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Miroir de l'Afrique - Epílogo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querido, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imediatamente após clicar 'enviar', parti para pegar o RER C na estação Saint-Michel em direção à banlieu de Savigny sur Orge. Chego ao cais da linha em questão e no auto-falante dá-se um recado de interdição entre Choisy le Roi et Juvisy. Minha estação era a seguinte, e portanto perguntei à menina (adivinha a cor?) ao meu lado se a mensagem era a que eu havia compreendido. Ao lado dela havia um rapaz (adivinha a cor?) que ouviu o que eu perguntava e tomou a iniciativa de complementar a informação, dizendo que o meu trem se aproximava, era o mesmo que ele pegaria. Agradeci - nossa, como eu agradeci o dia de hoje - agradeci imensamente a imigração africana na França e, andando, peguei o trem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota importante: toda quarta à noite eu parto para Savigny. É sagrado. É uma ordem. Cheguei cedo na casa do Jacques, esse amigo na casa de quem eu faço minhas meditações conjuntas, e fiquei na sala observando os quadros do Julien, um outro amigo e um artista extraordinário que veio do Benin e mora no seu grande studio squatteur ao lado da casa de Jacques, com seus dois filhos. Pois fiquei ali em frente a um de seus quadros, apreciando todos aqueles traços e o uso dos diferentes materiais e texturas. A temática do seu trabalho é sempre uma: o vodu, a escravidão, o deracinement vers l'Amerique. Me detive diante de um quadro que realmente me impressiona pela quantidade de detalhes, um épico, um Mahabarata, um Balzac negro: um navio onde se carrega, à cores, seus ancestrais do Benin para o novo mundo. Em &lt;br /&gt;volta, em marrom e branco, estão os espíritos vestidos com as roupas do culto. E nos mastros, nus e acorrentados, os negros já escravizados. Tudo isto é para ser descoberto, pois a pintura é feita de milhares e milhares de traços finos e muitas dimensões. A gente vê o vento nas velas, as pirâmides de água das ondas amolestadas pelo singrar do negreiro, a conferência dos homens e dos espíritos, o destino presente na dor e a presença das forças da natureza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É...eu me afasto, páro e penso, olhando o chão: "quanto trabalho. que presente para o Jacques. A amizade só pode ser verdadeira". Jacques então chega, e traz consigo uma mulher, Marie Anie, que chegara havia duas semanas do...Sudão ! Rapidamente travamos uma conversa que parecia ter começado a partir de uma vírgula, como se recuperássemos um diálogo rompido por alguma circunstância sem importância. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a África estava realmente decidida a seguir meus passos hoje. Ah! E sem contar o gato preto que desde antes de ontem me espera na entrada da Maison du Brésil. Ele me descobriu há dois dias, e miando me segue até o momento em que eu faço o último carinho e fecho a porta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei com Marie Anie para Paris no trem das 22:00. "Et alors, vous etiez au Sudan, dans un champ de refugiés?". Ela começou a me contar. Trabalha para a Cruz Vermelha e passou dois anos no norte do Sudão. No inverno faz frio, no verão não tem sombra. São 60 mil habitantes nesse campo, nesse espaço que sobra num território destruido pela guerra. Os sudaneses do norte são majoritariamente muçulmanos, mas de um islamismo pouco ortodoxo. Eles não consomem álcool, evidentemente, mas as mulheres usam véus coloridos e se maquiam bastante. Mesmo lá, no campo de refugiados, pois de provisória a vida deles só é no nome. Eles estão em situação provisória há vinte anos e só Alah sabe, se é que sabe, quando - e se é que - isso mudará. Antes disso &lt;br /&gt;eu respondi o que ela queria saber: sobre a minha tese. Expliquei como nunca conseguira explicar. Acho que hoje foi um dia importante realmente para precisar muitos pontos. Pontos que não vieram do nada, mas hoje, com a atenção que os eventos do dia me demandaram, acabei precisando no embalo de toda essa concentração que, graças ao meu bom Alah, não era a de uma escola de samba! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, meu amigo, esse e-mail não poderia deixar de seguir. Agora posso dormir em paz pois está tudo registrado em duas cartas para você. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem estive com Anne Raulin. cheguei atrasada à Nanterre, e quando entro na sala vi que ela falava da antropologia brasileira, dizendo que a idéia de antropofagia no nosso égard anthropologique estava mesmo na de uma antropofagia cultural. Na hora o meu assanhamento crítico do lado infantil aflorou e no silêncio detonei diversas apreciações ao que acabara de ouvir. Vendo que meu coração batia acelerado tratei de me aquietar e disse a mim mesma: "Soraya, aprume-se! Essa atitude de estudante contestadora implacávelmente aveugle é já obsoleta!", e assim entendi que Anne é &lt;br /&gt;francesa, e acessa o Brasil através da leitura. A recíproca era verdadeira. No meio de tudo ela me convocou à roda, e citou o que eu escrevi para ela no e-mail da semana passada, sobre o olhar militante na pesquisa. Em seguida, o que me deixou muito animada, pois se tratou de um estímulo, ela falou pra turma que já tinha um trabalho a ser apresentado, e seria um esforço comparativo entre dois casos de campo na América Latina: o meu, e o de Dorothée, esta moça que me procurou e que trabalhou numa favela na Guiana Francesa. Anne Raulin reforçou que tinha especial interesse nessa idéia nossa, pois concernia às suas pesquisas e era, de fato, um trabalho de &lt;br /&gt;antropologia urbana. Donc, ficou combinado: vou falar do terrain. E sei que vou partir para uma longa dissertação sobre a cohabitação, e vou falar de Belleville e também da Vila Mimosa. Vai ser um bate-papo, vou separar as fotografias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí com Dorothée, que me acompanhou até o trem. Essa moça faz o DEA em Paris X e eu perguntei se ela não queria tentar a bolsa via o nosso acordo para ir ao Brasil, trabalhar com a gente. Ela arregalou um olho, como se eu estivesse lhe dando um presente. É uma possibilidade, cabe a ela correr atrás. Falei de você. Sugeri a leitura do seu artigo publicado no livro do colóquio de Cerisy, escrevi teu nome pois ela queria procurar na internet também. Enfim, fiz o comercial. Ando cooptando. Parabolicamará. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, enfim, estou quebrada. &lt;br /&gt;Um beijo e bons sonhos ! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soraya&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-114131119638239197?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/114131119638239197/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=114131119638239197' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114131119638239197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/114131119638239197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2006/03/miroir-de-lafrique.html' title='Miroir de l&apos;Afrique'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-112860433472609601</id><published>2005-10-06T14:55:00.000+02:00</published><updated>2005-10-06T15:12:14.733+02:00</updated><title type='text'>Foi lá....</title><content type='html'>Bons ventos sopram na orla da Mauritânia: soube hoje que foi exatamente em Tenerife, uma das ilhas do arquipélago de Canárias, onde &lt;strong&gt;Malinowski &lt;/strong&gt;escreveu o célebre &lt;em&gt;Argonautas do Pacífico Ocidental&lt;/em&gt;. Realmente tenho pensado que talvez me falte apenas uma ida às Ilhas Canárias para que a tese, enfim, venha à luz de maneira majestosa, ajuntando-se ao panteão onde figura a clássica etnografia de nosso colega polonês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que tamanha pretensão!", dirão alguns, com toda a razão, em escutando estrelas. Fato é que o que nem mesmo parecia impossível, pois que impensável, se dará amanhã com a minha chegada - de mochila e bússula - à Fuerteventura, nas Ilhas Canárias. Oxalá, entre praias desertas e vulcões adormecidos, amanheçam as lembranças de &lt;em&gt;terrain&lt;/em&gt; escamoteadas pelo medo colossal que nos impõe a constatação da folha em branco!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-112860433472609601?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/112860433472609601/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=112860433472609601' title='3 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112860433472609601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112860433472609601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/10/foi-l.html' title='Foi lá....'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-112430808038423524</id><published>2005-08-17T21:43:00.000+02:00</published><updated>2005-08-17T21:48:00.390+02:00</updated><title type='text'>Plaza de Toros La Real Maestranza</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/1600/Imagen%20104.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/400/Imagen%20104.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-112430808038423524?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/112430808038423524/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=112430808038423524' title='7 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112430808038423524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112430808038423524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/08/plaza-de-toros-la-real-maestranza.html' title='Plaza de Toros La Real Maestranza'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-112427254064436595</id><published>2005-08-17T11:47:00.000+02:00</published><updated>2005-08-17T11:55:40.650+02:00</updated><title type='text'>Mairena del Alcor - Madri</title><content type='html'>Num cativeiro em pleno deserto...mas partiremos hoje, com carta de alforria, da seca de Mairena! A regiao é de laranjeiras, o que me remete diretamente à Itaboraí. Estou de saída para Madri às 16:00. Chego lá por volta das 18:30 e fico até dia 20, quando pego outro trem para Paris. 2000km de volta, Sevilha-Paris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que nao sabia que vinha para Mairena, pois é o tipo de cidade que ninguém pagaria para vir. Mas, uma vez aqui, nao páro de rir um  só segundo. Fico imaginando o que os moradores de Mairena pensam quando caminhamos pela rua, "o que esses estrangeiros fazem aqui? Devem estar foragidos!". Senti que havia algum tipo de sentimento de intrusao vindo em nossa direçao e resolvi adotar uma estratégia: passei a dizer "hola!" e "buenas noches!" a cada velho sentado na soleira. Toda a populaçao de Mairena já nos conhece, uma província sem árvores, sem sombra, onde de 14:00 às 18:00 nao há viv´alma nas calçadas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem saí na hora da sesta só para experimentar um pouco dessa hora numa rua de deserto. Acho que tive experiência semelhante à de Jesus Cristo. E descobri: quem se perde no deserto nao descobriu ainda o seu lugar no mundo... pelo teor da filosofia, vocês podem imaginar que tive insolaçao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas passei o dia 15 de agosto na Plaza de Toros La Maestranza, vendo uma corrida em homenagem à padroeira de Sevilla, que é a nossa Senhora de Reyes, do dia 15 de agosto. Em breve um capítulo com fotos de uma tourada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malgré teus apelos, Tetê, eu nao resisti e fui torcer pros touros. E agora posso dizer: A Espanha me ASSUSTA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hasta Luego!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-112427254064436595?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/112427254064436595/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=112427254064436595' title='3 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112427254064436595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112427254064436595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/08/mairena-del-alcor-madri.html' title='Mairena del Alcor - Madri'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-112396487388240070</id><published>2005-08-13T22:26:00.000+02:00</published><updated>2005-08-13T22:27:53.883+02:00</updated><title type='text'>Alhambra II</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/1600/Alhambra.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/320/Alhambra.gif" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-112396487388240070?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/112396487388240070/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=112396487388240070' title='3 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112396487388240070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112396487388240070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/08/alhambra-ii.html' title='Alhambra II'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-112396473880736887</id><published>2005-08-13T22:21:00.000+02:00</published><updated>2005-08-13T22:25:38.813+02:00</updated><title type='text'>Alhambra</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/1600/la%20alhambra%20007.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/400/la%20alhambra%20007.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-112396473880736887?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/112396473880736887/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=112396473880736887' title='1 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112396473880736887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112396473880736887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/08/alhambra.html' title='Alhambra'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-112396355029868580</id><published>2005-08-13T21:49:00.000+02:00</published><updated>2005-08-13T22:05:50.303+02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Zaira, Zoraida e Zorahiada cresceram em sua torre de marfim na Alhambra ouvindo as histórias contadas pela discreta Kadiga. Sem saberem que se pai, o arguto sultao Mohamad, havia apelado aos conselhos do astrólogo da cidade palaciana quando do nascimento de suas três princesas, as jovens irmas estavam desde entao destinadas à vigília da guarda moura contra os sedutores chamados dos cancioneiros espanhóis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao alcaçarem a idade dos ardentes desejos juvenis, as princesas quedaram em profundo desmazelo. Nao havia pérolas, ouro, distraçoes, nem qualquer outra riqueza trazida de harén mais sublime do Marrocos que pudesse aplacar a lassidao das três jovens. Apenas o amor dos três jovens cristaos espanhóis. Da Torre das Ninfas, entao, se confabulou uma fuga. Zaira, a mais velha, instigou a coragem nas duas mais novas. Zoraida, a mais bela, nao teve dúvidas, e Zorahiada, a mais jovem e tímida, incitada pelo desejo, acabou sucumbindo à culpa de burlar a guarda de seu pai e desistiu, do alto das horas, de se entregar, como suas irmas, aos apelos do amor. Desatando-se das cordas que a levariam ao lombo do cavalo do amado, Zorahiada entregou-se à solidao do castelo de Alhambra e ali padeceu jovem, curtindo no peito o amor nao vivido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a mim, quando entrei em Alhambra e vi tudo do alto, toda a exuberância que a tradiçao musulmana imprimiu na face da Terra, tradiçao essa destinada integralmente ao cuidado e cultivo dos mistérios e das maravilhas, pensei sinceramente: "Vou me permitir imaginar que isso tudo me pertence". E nunca me senti tao bem na vida, penetrando naquela cidade antiga como uma sultana, percorrendo suas vielas, seus banhos, suas muralhas, suas torres, seus jardins e suas inúmeras fontes da água cristalina como quem também ali vivera o lúgubre de muitas das histórias ali passadas à luz de velas, na sua medina, no seu palácio, ou nas saídas das portas de ferro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel de Falla viveu ali numa das ruas da medina na década de 20 deste século.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demain, après midi: Seville.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-112396355029868580?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/112396355029868580/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=112396355029868580' title='1 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112396355029868580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112396355029868580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/08/zaira-zoraida-e-zorahiada-cresceram-em.html' title=''/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-112378057632389724</id><published>2005-08-11T19:10:00.000+02:00</published><updated>2005-08-11T19:16:16.333+02:00</updated><title type='text'>Granada</title><content type='html'>Cheguei, estou em Sacromonte, Granada. Le barrio de las cuevas flamencas, buracos na montanha onde vivem los gitanos e onde se ouve o flamenco que Paco de Lucía aprendeu em uma de suas cuevas. Os interiores de las cuevas sao como as casas mediterraneas que aprendemos a identificar: brancas, talhadas na pedra e com arcos rusticos. Muito bordado árabe nos sofás de pedra e panelas de bronze penduradas nas paredes. Sao pequeníssimas. Nesse ambiente intimista vou estar logo mais, no alto da montanha de Sacromonte, de onde se vê bem em frente l´Alhambra e, ao fundo, Sierra Nevada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Granada é um upgrade de todas as viagens que sempre me atrairam, inclusive aquela que me levou mesmo a morar em Maringá. Vejo que em Andaluzia, o sul da Espanha, estamos, na verdade, no norte da África.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-112378057632389724?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/112378057632389724/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=112378057632389724' title='3 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112378057632389724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112378057632389724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/08/granada.html' title='Granada'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-112343011576068042</id><published>2005-08-07T17:53:00.000+02:00</published><updated>2005-08-07T17:55:15.766+02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/1600/IMG_6522.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1073/433/320/IMG_6522.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-112343011576068042?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/112343011576068042/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=112343011576068042' title='2 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112343011576068042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112343011576068042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/08/blog-post.html' title=''/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-112340889184709284</id><published>2005-08-07T11:51:00.000+02:00</published><updated>2005-08-07T12:01:31.853+02:00</updated><title type='text'>Raval</title><content type='html'>Estou no Raval, um bairro antigo de Barcelona, ao lado do bairro gótico, da Rambla animada, de Barceloneta, perto de tudo. O Raval é paquistan&amp;es. E o mercado de la Boqueria é das frutas, dos mariscos, dos peixes, das verduras, das putas e dos travestis. A apariÇao desses produtos no Mercat só depende da vitoria do dia ou da noite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do mais, em catalao, AMB é igual a COM, AVEC. Quer dizer, estar com, é estar AMB. Estar comigo, numa mistura latina catala, é estar AMB EGO. AMB para dizer com é lindo: é como estar no ambito de, dentro do magnetismo de, vendo o mundo com, a partir de determinada perspectiva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E outra coisa: um espaco fisico é a morada de um espirito, e o espaco fisico de Barcelona permite espiritos das mais diversas extirpes. Quantos olhos flagro me olhando. Nao há pudor! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem comprei a passagem pra Granada. 14 horas de &amp;onibus até a Andalucia. dizem que lá o sol está incendiando. Quem tá no deserto é mesmo para se molhar! Granada e Sevilha. Essa mensagem é só um alo para dizer a todos que Espanha realmente me encanta. Hay conversa nas calles, nas pensiones, nas peluquerias, peleterias, carnicerias...! Alias, estoy em cima de la Carneceria Islamica. E cortei o cabelo num paquistanes do século XII: comendo com a mao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PT, tenho fotos de la Tasca EL Tropezon, onde se come mui mui bien por um precito irrisorio. Parece os tr&amp;es coelhinos, pertto do IFCS. Mando fotos logo mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou flanar agora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-112340889184709284?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/112340889184709284/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=112340889184709284' title='2 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112340889184709284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112340889184709284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/08/raval.html' title='Raval'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-112290795130315416</id><published>2005-08-01T16:46:00.000+02:00</published><updated>2005-08-01T16:52:31.310+02:00</updated><title type='text'>ESPANHA</title><content type='html'>Estou de partida para o mundo mouro. Hoje deixei meu apartamento, estou na casa de um amigo, e dia 3, meto os pes nos trilhos. 12 horas de viagem ate Barcelona, depois Granada, Cordoba e Sevilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentarei mandar imagens. Voltei a desenhar e com isso meu mundo se reconfigurou. Saber o que registrar na cena é um exercicio de escolha, porque o mundo passa sem cessar diante dos nossos olhos. Concentremo-nos, pois, em nossas almas, irmãos... é que estou lendo Lettres à un jeune poète, de Rilke. Belo presente de aniversario, na Hungria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o contrato com a CAPES està sendo cumprido, assim como àquele que fiz com o diabo...olé!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-112290795130315416?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/112290795130315416/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=112290795130315416' title='9 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112290795130315416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112290795130315416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/08/espanha.html' title='ESPANHA'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-112184609997225466</id><published>2005-07-20T09:54:00.000+02:00</published><updated>2005-07-20T09:56:08.063+02:00</updated><title type='text'>Embouteillage</title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/640/IMG_6291.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #FFFFFF; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/400/IMG_6291.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-112184609997225466?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/112184609997225466/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=112184609997225466' title='2 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112184609997225466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112184609997225466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/07/embouteillage.html' title='Embouteillage'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-112184596314733752</id><published>2005-07-20T09:45:00.000+02:00</published><updated>2005-07-20T09:52:43.153+02:00</updated><title type='text'>Enseignante???</title><content type='html'>Aos poucos ela vem chegando, devagarinho, no seu tempo...a rotina! Já andava com saudades dela. Havia muito que andava sem notícias suas. Ela amadureceu, encontrou um bom meio de vida, bons lugares para ir, bons amigos para partilhar o tempo, um corpo, um copo e boas idéias com as quais se ocupar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é verdade que isto se refletiu no mundo, pois com a nova rotina a secretaria da École des Hautes Études me forneceu uma carteira de...estudante? não! de enseignante!!! À que ponto chegamos, para onde caminha a humanidade??? Podemos ainda pensar que os tempos mudaram junto com esta rotina trés personelle, e que hoje é possível reconhecer a sabedoria pelo cheiro!...assim como a humildade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vantagem para além do espírito, é que com esta carteira eu entro de graça em tudo quanto é museu. Até me animei a encarar o Louvre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-112184596314733752?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/112184596314733752/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=112184596314733752' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112184596314733752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112184596314733752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/07/enseignante.html' title='Enseignante???'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-112099376768334164</id><published>2005-07-10T13:09:00.000+02:00</published><updated>2005-07-10T13:09:27.706+02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/640/IMG_6019.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #FFFFFF; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/400/IMG_6019.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;de Pernambuco para o mundo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-112099376768334164?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/112099376768334164/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=112099376768334164' title='3 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112099376768334164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112099376768334164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/07/de-pernambuco-para-o-mundo.html' title=''/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-112073004794993985</id><published>2005-07-07T10:50:00.000+02:00</published><updated>2005-07-07T11:58:23.550+02:00</updated><title type='text'>Êparrei, Il n'y insin !</title><content type='html'>O português, meus amigos, essa língua indo-européia do ramo itálico do grupo latino, é, saibam vocês, uma língua sagrada. Numa consulta com um preto velho no Temple de Guaracy, perto de Nation, após ter dispensado o tradutor recebi um olhar penetrante e azul daquele &lt;em&gt;vieux noir &lt;/em&gt;para então tomar consciência de que sou falante de uma língua sagrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil está se transformando numa rota mística de grande importância e &lt;em&gt;au delá &lt;/em&gt;de Lula, estou pensando que a sacralização da nossa língua ("português-brasileiro"), o encantamento que o panteão dos nossos orixás exerce aqui nesse universo laico em desencanto e a vontade de entender essa alma "simples e sensível" que manifesta a cultura brasileira tem feito o português se transformar em língua OBRIGATÓRIA em vários grupos religiosos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenção! O português é língua OBRIGATÓRIA EM VÁRIOS GRUPOS RELIGIOSOS AQUI NA EUROPA! E o desenvolvimento espiritual está em plena ascensão, em escalada vertiginosa simetricamente equiparável à queda na crença nas leis do mercado liberal. Pensando nisso, tenho achado que num tempo não muito distante nossa língua estará ocupando um espaço no mundo como o inglês ocupa já há alguns anos graças à uma imposição dos ideais liberais. Par contre, tenho fé que a língua da dor da saudade vai assolar os falantes da Terra (homens e papagaios) ao mesmo tempo em que promoverá uma espiritualização planetária. Veja só: o português é falado na Ásia, na África, na Europa e na América. Não é brincadeira não: um preto velho viajado me revelou que falamos hoje uma língua que representa o que o sânscrito e o védico representaram mil'anos a.C.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No domingo, dia de lavagem da escadaria da Sacre Coeur, as baianas cortaram um dobrado porque baixou um santo num árabe que estava ali assistindo ao que para alguns é apenas um espetáculo. &lt;em&gt;Malgré tout&lt;/em&gt;, a baianona chefe de terreiro acabou tendo que dar um jeito no imponderável da situação e se posicionou na frente do árabe possuido bradando apelos em iorubá. Eu vi Babel, pois nesse momento estava dançando com uma família de músicos dos Camarões, numa arena situada no meio da extensa escadaria de pedra que leva à Basílica de Sacre Coeur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num certo sentido, o Brasil está em franco crescimento. E eu tenho fé que não é à toa que Gilberto Gil está à frente do Ministério da Cultura. No dia 14 de julho estarei lá no Champs Elysées para ver a esquadrilha da fumaça lançar pó verde e amarelo sobre o desfile de Lula e Chirac, não tenho dúvidas. Lula precisa continuar sorrindo o seu sorriso de homem de fé, porque o merdaçal da já velha corrupção é coisa que sempre dá e passa, pra depois dar e passar de novo, nosso velho processo histórico. Eu tenho começado a achar que pior são aqueles que se surpreendem com essas artimanhas inescrupulosas do governo e por uma simples razão: não pode ser verdadeiro esse sentimento de surpresa sobretudo depois da enxurrada de alianças feitas para se eleger o PT. Quem se sente surpreendido é ruim da cabeça ou doente do pé. Ou ainda se esquece que a justiça é cega. E sabendo-se que quem conta um conto aumenta um ponto, sabe-se que fato e relato são duas coisas pra lá de distintas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando na ética e no princípio de justiça dos nossos orixás, sugiro Xangô para chefe da Casa Civil!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-112073004794993985?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/112073004794993985/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=112073004794993985' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112073004794993985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112073004794993985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/07/parrei-il-ny-insin.html' title='Êparrei, &lt;em&gt;Il n&apos;y insin &lt;/em&gt;!'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-112051459785092516</id><published>2005-07-05T00:03:00.000+02:00</published><updated>2005-07-05T00:03:17.853+02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/640/IMG_5825.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #FFFFFF; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/400/IMG_5825.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cameroon&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-112051459785092516?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/112051459785092516/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=112051459785092516' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112051459785092516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112051459785092516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/07/cameroon.html' title=''/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-112051407014343936</id><published>2005-07-04T23:20:00.000+02:00</published><updated>2005-07-04T23:54:30.486+02:00</updated><title type='text'>Index I</title><content type='html'>Outro dia ouvi o Mello ler uma frase de um artigo do Howard Becker que era mais ou menos assim: "se estamos há duzentos anos discutindo a epistemologia da nossa disciplina, então é melhor que esqueçamos essa discussão pois se não foi possível dar conta dela em 200 anos, é sinal de que não daremos também nos próximos 200". eu entendi que talvez a discussão epistemológica da Antropologia seja mesmo um campo da própria disciplina, o seu "campo criativo" onde se bola, recusa, critica, revê e discute os paradigmas mesmo desse modo de fazer ver a vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, no já familiar RU, encontrei um amigo "Jedi", como passamos a nos reconhecer, pois é vero. Tem gente que basta mirar uma só vez no olho do outro que o reconhecimento é imediato, e entender isso demanda muita dedicação para se tomar consciência e confiar incondicionalmente no fato. Pois é. Digo isso pois hoje soube mais um pouco sobre os interesses desse meu amigo: há 20 anos ele estuda ritos de possessão, sobretudo no Gabão, e, entre outras coisas, conseguiu dar conta de processar a chacrona e o cipó na cozinha da sua própria casa, numa jornada de oito horas ininterruptas. Mas porque estou dando essa volta toda para falar do De La Justification? Chega a ser patético esse meu tour, mas escrevendo sei que vou tecendo o fio da meada. Essa pessoa e eu estendemos a conversa para a beira do lago do Montsouris, tempo de uma cigarrilha para voltarmos aos respectivos labores. Sei não...ele me sugeriu ler coisas sobre a Advaita Vedanta, a yoga arcaica, vó de todas, uma proto-ciência, dados os devidos descontos que uma infância cartesiana de nosostros ocidentales tentou romper a todo o custo, e isso só muito recentemente, mas, entretanto, o que é o tempo senão uma ilusão racionalizada para servir à indústria e..... ? Desculpe-me: foda-se Descartes! A não ser para os meus futuros alunos universitários que estarão ávidos por uma erudição sem tempo e com documento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que saí da beira do lago para o FranPrix. É que hoje botei na cabeça que ia começar a ler o Boltanski e o Thevenot, ia mastigar essa maravilha que os dois escreveram mas que demanda uma atenção integral. Já como exercício de concentração me impus a parada, e vi que os caras sofisticaram ao máximo essa refinada tradição francesa de ir espiralando, espiralando uma idéia, tal qual Rita Cadilac no Cassino do Chacrinha. Antes de qualquer crítica, vamos ser agradáveis e constatar que esse livro é um presente bonito para a humanidade das ciências sociais. É um auto-retrato do pensamento francês, um instrumento para se trabalhar material de pesquisa e, porquoi pas penser aussi que esse livro aperta a mão de Howard Becker quando resolve matar uma cobrona e mostrar o pau em todos os ângulos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Monter en generalité é uma idéia. Ainda bem que eles já pouparam o nosso serviço desenvolvendo uma forma (com brilhos) onde a gente entra em universos, que são situações, a partir dos quais a gente puxa um ou outro fio para legitimar uma coisa que pode ser a mesma num estado puro, mas que muda de acordo com a música do enqueter e da cenografia do drama. Agora é sério: os caras conseguiram cartesianisar e literalizar o que para mim até então era pura poesia do ato contemplativo! Começo a pensar seriamente sobre o jantar de domingo passado, sobre o velho anarquista, o novo sociólogo, a table ronde e o quanto o tamanho do mundo em torno de uma mesa redonda vai depender do tipo de compromisso que se tem com a vida. Pelo o que eu tenho visto os sociólogos estão perdendo feio para os anarquistas. No entanto é preciso relevar, os sociólogos não sabem o que estão fazendo. Perdoai-os, Bakunin.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-112051407014343936?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/112051407014343936/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=112051407014343936' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112051407014343936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/112051407014343936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/07/index-i.html' title='Index I'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111991692214675773</id><published>2005-06-28T02:02:00.000+02:00</published><updated>2005-06-28T02:03:21.930+02:00</updated><title type='text'>L'envie c'est une merde!</title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/640/IMG_5719.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #FFFFFF; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/400/IMG_5719.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111991692214675773?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111991692214675773/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111991692214675773' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111991692214675773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111991692214675773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/06/lenvie-cest-une-merde.html' title='L&apos;envie c&apos;est une merde!'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111978963377698288</id><published>2005-06-26T14:40:00.000+02:00</published><updated>2005-06-26T14:43:38.663+02:00</updated><title type='text'>MUSICA!</title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/640/IMG_5600.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #FFFFFF; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/400/IMG_5600.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111978963377698288?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111978963377698288/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111978963377698288' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111978963377698288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111978963377698288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/06/musica.html' title='MUSICA!'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111978928421122631</id><published>2005-06-26T14:31:00.000+02:00</published><updated>2005-06-26T14:36:28.580+02:00</updated><title type='text'>Relatório CAPES-Cofecub</title><content type='html'>- L’Itineraire: dia 08 de junho 2005 (quarta-feira). Sale d’Italie, Maison d’Italie, CIUP. Paris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 22o. Festival Chopin : 19 de junho 2005 (sábado). Mariangela VACATELLO, Constatinos VALIANATOS, Da-Hee KIM e Guillaume COPPOLA. Orangerie do Parc Bagatelle. Paris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fête de la Musique: 21 de junho 2005 (segunda-feira). Manu e amigos no café às margens do canal de la Bastille tocando músicas bretãs. Paris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lenine e Orquetre Synphonique d’Île-de-France (David Levi) com coro de 1.500 crianças de escolas dos subúrbios de Paris. 24 de junho de 2005 (sexta-feira). Le Zenith, Parc de la Villete. Paris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- The Noise of Time (Le Rumeur du Temps) : 25 de junho 2005 (sábado). Com Emerson String Quartet executando a 15a. Sinfonia de Chostakowski. Palais Garnier, Paris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que entendi pela música de Bartok que ele só podia ser húngaro entendi também que para estudar antropologia é preciso ouvir muita música.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111978928421122631?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111978928421122631/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111978928421122631' title='2 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111978928421122631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111978928421122631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/06/relatrio-capes-cofecub.html' title='Relatório CAPES-Cofecub'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111928170269643319</id><published>2005-06-20T16:06:00.000+02:00</published><updated>2005-06-20T17:44:05.620+02:00</updated><title type='text'>odisséia ali na esquina</title><content type='html'>Há uma outra coisa no olhar do gringo (além de Pelé, samba e caipirinha) que nos condena, vamos dizer assim, à condição de brasileiros. Eu andei desconfiada de um fato um tanto quanto prosaico, fato que fatalmente me ronda numa primeira especulada sobre a minha nacionalidade. Podemos pensar: é um jeito de se vestir, é a solicitude, o sorriso, o sotaque, um jeito de ver a vida. Há ainda a possibilidade de imaginarmos que, ora, eu estou em Paris, aqui só tem estrangeiro, então espera-se que o assunto "d'oú" teça a prosa como o velho e bom "menina, como esse ano passou rápido!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fato é que esse "d'oú" nos deixa ver o mundo pelo buraco da fechadura, ça veut dire, nos mostra um mundo concentrado, focado numa coisa bem marcante, fetichizada, "típica" e, por isso sim, folclórica. O "d'oú" antecede a fantasia do sujeito do outro lado da mesa a nosso respeito. Preciso dizer que me considero também estando do outro lado da mesa em relação à qualquer um que se senta diante de mim na hora do almoço, pois somos todos estrangeiros (e humanos) aqui. Então, quero dizer que tenho muitas fantasias a respeito dos africanos (quase não os distingo pela diversidade dos países), muitas sobre os espanhóis, sobre os árabes (outro conjunto mal definido nas minhas fantasias), sobre os nórdicos e sobre todo e qualquer outro ser classificado no meu compêndio antropo-lógico e -fágico. Tenho aprendido mais na mesa do restaurante do que banco da universidade, podes crer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem almocei com dois caras do Chade, um país da África central cheio de problemas, pra variar, mas sobretudo problemas religiosos, visto que lá 50% da população é muçulmana, 25% cristã e 25% "animista", quer dizer, toca um tambor e canta pra subir. Fui obrigada a lhes dizer que desde que cheguei aqui me surpreendi com o fato de que ainda não me vi livre, em nenhuma conversa, do tema religião. Isto tem sido algo realmente notável, e concluo que nós, brasileiros, caímos no conto do vigário, literalmente, de que o Brasil é só samba, cachaça e futebol. Falo do vigário porque talvez a igreja católica tenha feito um bom trabalho de lobotomia (salvo nos baianos) nas cabeças da gente que se esquece que somos "exóticos" inclusive pelo nosso sincretismo. Os dois caras do chade perguntaram se eu tinha religião, e eu preferi dizer que acredito em tudo, pois é verdade. Logo fui taxada de "panteísta". Preferi não discordar, até porque eles tinham razão. Mas talvez eu não tenha discordado pois queria continuar entrando no embalo das suas conclusões. Fiz apenas a ressalva de que a minha família era católica, como toda família católica brasileira que "faz a cabeça no candomblé". Eles tentaram entender olhando um tempo pra cima e franzindo as sobrancelhas. Daí, um dos dois me disse que Jesus morreu na cruz para nos salvar dos pecados, e eu disse que também nisso eu era capaz de acreditar. Tinha até tradizo comigo um &lt;em&gt;chapelet &lt;/em&gt;para não me esquecer de mais essa crença, eu confessei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso me parecia cada vez mais intrigante. Esquecera-me eu dos mistérios que o meu panteísmo já havia me mostrado até que hoje, finalmente, pude recordá-los através da vivência de um caso clássico de sincronicidade na mesma mesa de restaurante onde eu como quase todos os dia. Dessa vez era mesmo um francês, talvez o mais exótico de todos os casos que acumulo. Depois dos indefectíveis &lt;em&gt;bonjour's&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;s'il vous plaît's&lt;/em&gt; prescritos para a boa comensalidade anônima, nos vimos impelidos a saber um pouco mais sobre o que nos trazia àquela mesma mesa. "Vous êtes d'oú?", antecipou-se o indivíduo. "Brésil", falei eu na mesma língua. "ah!...". A exclamação pareceu indicar que ele já sabia. Tinha amigos brasileiros, e algo em mim o permitia inferir sobre minha condição de &lt;em&gt;muchacha&lt;/em&gt;. "Je ne sais pas si sont tes yeux, la mélange du trace", mas algo em mim denunciava. (Nota: há três dias estamos em plena canícula e eu estou vestindo um vestidinho cujo único mérito e mostrar ao mundo que sou moça direita). Ousamos ir adiante na exploração um do outro e descobrimos algo em comum, além do almoço: éramos antropólogos! "Non!", eu exclamei. "Oui!", ele retrucou. Do civilismo para o tricô foi um pulo. Meu companheiro de mesa era da Umbanda parisiense e estudava o xamanismo amazônico! No momento, o meu pulso porta uma fitinha do Senhor do Bonfim presenteada outro dia por uma francesa na entrada de uma sala de exposições do IVéme, e esta fitinha nos conduziu para tricôs ainda mais arrematados. Falamos da Bahia, da Galinha d'Angola do Mello e do Santo Daime. "Je connais le Santo Daime", il m'a dit. Novamente exclamei: "Non!", e ele repetiu o óbvio: "Oui!". Como se não bastasse, o &lt;em&gt;citoyen &lt;/em&gt;era xará do Philippe, com quem fiz meus últimos trabalhos no Rio. Já trocamos &lt;em&gt;coordonnées &lt;/em&gt;e espero agora poder exercer minha mediunidade além das salas de concerto de Paris - porque a música, sobretudo a de câmara, transporta que não é brincadeira não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111928170269643319?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111928170269643319/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111928170269643319' title='4 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111928170269643319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111928170269643319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/06/odissia-ali-na-esquina.html' title='odisséia ali na esquina'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111861097667525078</id><published>2005-06-12T23:16:00.000+02:00</published><updated>2005-06-26T17:52:55.026+02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/640/IMG_0691.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #FFFFFF; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/400/IMG_0691.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111861097667525078?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111861097667525078/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111861097667525078' title='2 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111861097667525078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111861097667525078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/06/blog-post.html' title=''/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111861088408471131</id><published>2005-06-12T23:11:00.000+02:00</published><updated>2005-06-12T23:22:39.100+02:00</updated><title type='text'>Uma família</title><content type='html'>Uma família maronita libanesa nunca se esquece de um parente. Um parente é uma graça de Deus e ter fé em Deus é o mesmo que sentir amor. Sem amor, quer dizer, sem Deus, não há perspectiva de amanhã e a vida se reduz ao egoísmo. Não sei. E o que eu sei pouco importa diante da verdade que uma crença - qualquer que seja - é capaz de realizar no mundo: tanto uma guerra, como no Líbano e em todo o Oriente Médio, quanto um ideal de paz e união, como o que vivi hoje num encontro com a minha tia Mona, de Beyruth. Trinta anos - 30 anos!! -, todo o tempo que eu tenho de vida nos separaram até o dia de hoje, dia em que eu pude ver o que significa, na prática, o sentimento de 'família' para uma mulher que encarna em si o espírito desse "clã" católico. Nada é tão simples assim. Eu, uma brasileira de 30 anos, e Mona, uma libanesa plus agée que moi, nos abraçamos como se a distância não houvesse existido. Eu, no entanto, sabia o tempo todo que ela, a distância, estava lá. Quanto à Mona, talvez ela também soubesse mas parecia não se preocupar absolutamente com isso. No final das contas, todas as distâncias do mundo pouco importavam mesmo, pois fato era que num abraço desfizemos tudo isso. Eu era a &lt;em&gt;habibi &lt;/em&gt;e Mona minha &lt;em&gt;cherie&lt;/em&gt;. Entre nós e entre cafés, a distância se transformou numa grande curiosidade só possível de ser alimentada a todo instante graças à mediação de uma língua estrangeira. A língua é antes de tudo um ambiente - assim como uma casa, um bar, uma igreja, uma &lt;em&gt;cour&lt;/em&gt;, um bazar, um salão de chá, uma mesquita, um teatro, uma rua incendiada...&lt;br /&gt;e eu queria muito saber o que Mona está sentindo agora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111861088408471131?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111861088408471131/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111861088408471131' title='2 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111861088408471131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111861088408471131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/06/uma-famlia.html' title='Uma família'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111835983723219635</id><published>2005-06-10T01:30:00.000+02:00</published><updated>2005-06-26T17:53:39.966+02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/640/IMG_0638.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #FFFFFF; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/400/IMG_0638.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111835983723219635?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111835983723219635/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111835983723219635' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111835983723219635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111835983723219635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/06/blog-post_10.html' title=''/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111835927668099313</id><published>2005-06-10T00:30:00.000+02:00</published><updated>2005-06-10T01:45:41.983+02:00</updated><title type='text'>Le Brésil à la une</title><content type='html'>A cada dia que passa está sendo mais fácil perceber os grandiosos presentes que a vida reservou pra mim. Ainda agora, à uma de la mañana aqui, meu coração bate com força. Ele já havia sido amaciado ontem no concerto do l'Itineraire, grupo fundado por Michael Levinas, composto por verdadeiros virtuoses - esses sim - da música contemporânea. Pude ver ao vivo e à cores o &lt;em&gt;Pierrot Lunaire&lt;/em&gt;, do Schoenberg! É verdade!! E ainda outras peças de Webern, Oliver Messiaen e Pierre Boulez. Se houver um bruto na audiência, nele será feito o parto de sua sensibilidade. Depois de ontem eu não acredito mais que possa existir algum ser humano que não tenha jeito, qualquer jeito. Jamais havia visto tamanha entrega à música, tamanha concentração, tamanha presença no ato. Piano, flauta e voz naquela loucura sofisticada concebida pelos espíritos da fantástica Escola de Viena (o céu acima do mármore que recobre o "mundo jaburu" onde vivem as almas aprisionadas) e continuada pelo Pierre Boulez. Me sinto privilegiada pela vida, e não estou brincando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se não bastasse hoje tive o indescritível prazer de dar um forte abraço no grande Custódio e na formidável Cristina, na vernissage do Le Brésil à la Une, na galeria du Monde des Ameriques. A Cristina estava um pouco ansiosa no início, mas só um pouquinho, nada demais, pois até eu estava um pouco. Afinal pertence ao mundo acima da camada de mármore um encontro como esse, pleno de boas vibrações, de sucessos na vida. Gosto demais dessa super dupla de semblante firme. Mais uma dessas dobradinhas de arte que a vida é capaz de compor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como se ainda não bastasse, eis que Custódio me vem dizer que ali no salão havia uma Thiago de Mello. Saio à sua procura e ele, do outro lado, me aponta para a mulher. Pelo braço sou levada até a dona e a Cristina introduz as apresentaçòes. Tratava-se da Marilza, prima do Gaudêncio Thiago de Mello, pai do meu eterno Pedro Paulo Thiago (PPT's). Quase uma hora se passou numa conversa de puxar fios de meadas. Tantos foram estes que o grande e saudoso Manduka mais uma vez iluminou-se com todas as loas que lhe são de direito. Seus quadros, sua música, sua poesia, suas idéias, seu exílio intermitente dos vários mundos onde certamente dançou tango e se viu na mira de espíritos menos iluminados, digamos. Talvez também pelo grande apreço que o Paulo Thiago cultivava e ainda cultiva pelo primo, eu incorporei Manduka. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem querer parecer repetitiva, mas é preciso dizer ainda mais uma vez que...como se realmente nada nunca fosse bastar, a Marilza me informa que havia sido conselheira do Centre Lebret, simplesmente uma das fundações mais representativas e emblemáticas de toda uma história do desenvolvimento social que se inicia aqui na França, com o P.Lebret, e se desdobra para o Brasil e para os países do chamado "tier monde" de maneira geral - "tier monde" c'est le cacete! Padre Lebret foi quem concebeu a encíclica Populorum Progressio, a partir da qual Dom Hélder, amigo pessoal de Lebret, passou a realizar no Brasil a famosa série de articulações políticas em prol de uma "vida digna" aos destituídos, ganhando de Nelson Rodrigues, por isso, a alcunha de "padre de passeata". Vi que no Instituto Católico de Paris existem vários documentos sobre os embriões dessas idéias que culminaram em políticas de habitação no Brasil e, especificamente, na própria Cruzada São Sebastião, onde ainda hoje habita a minha saudosa e formidável Dona Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chaqu'un à son tour, tous arrivent au moment qui leur sont de droit. Il ne faut pas des efforts au-delà de ceux qui nous attachent à la spontanéité. Chere Lina: me cutuque!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pour finir, c'est suffi de como se não bastasse...le grand finale: encontrei um e-mail da Lena, uma prima que me escreveu do Líbano para dizer que Mona, tia distante que até então só me existe em pensamento, está em Paris visitando o filho. Estou emocionada. Aqui na França o Líbano me chegou com toda a força, e por todos os lados. Tenho vizinhos libaneses e já duas vezes me disseram, na rua, que tenho les yeux et du visage du Liban. Pai, tenho andado constantemente feliz, e, conforme for (e quando for) o nosso encontro, formalizemos um dia uma ida às nossas origens? Mãe, sem ciúmes: você também vem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111835927668099313?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111835927668099313/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111835927668099313' title='1 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111835927668099313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111835927668099313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/06/le-brsil-la-une.html' title='Le Brésil à la une'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111818467926556187</id><published>2005-06-08T00:51:00.000+02:00</published><updated>2005-06-08T00:51:19.266+02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/640/IMG_05723.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #FFFFFF; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/400/IMG_05723.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;meu jardim&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111818467926556187?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111818467926556187/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111818467926556187' title='1 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111818467926556187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111818467926556187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/06/meu-jardim_111818467926556187.html' title=''/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111818464661313386</id><published>2005-06-08T00:50:00.000+02:00</published><updated>2005-06-08T00:50:46.613+02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Esse é o meu atual jardim. Outro dia cochilei bem ali ao lado daquela árvore escura, grande e acolhedora, mais ou menos assim, só que no feminino:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um sujeito cheio de recantos. &lt;br /&gt;Os desvãos me constam. &lt;br /&gt;Tem hora leio avencas. &lt;br /&gt;Tem hora, Proust. &lt;br /&gt;Ouço aves e beethovens. &lt;br /&gt;Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin. &lt;br /&gt;O dia vai morrer aberto em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cochilei nesse jardim ao lado da árvore e com o Manoel de Barros sobre a barriga.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111818464661313386?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111818464661313386/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111818464661313386' title='2 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111818464661313386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111818464661313386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/06/esse-o-meu-atual-jardim_08.html' title=''/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111809787304425760</id><published>2005-06-07T00:21:00.000+02:00</published><updated>2005-06-07T00:44:33.046+02:00</updated><title type='text'>Um resumo da vida que não mais espera</title><content type='html'>A Fontaine de Médici jorra há quatro séculos no Jardin de Luxembourg. Sequer moveu-se dali para dar vazão ao extravazamento da voraz Lutetia agregadora de arrondissements. A Médici da ex-Lutetia, silenciosa e constante, atrai para si silenciosas criaturas que ali vão em busca de tempos perdidos a abrir livros, fechar olhos ou beijar lábios, de qualquer modo imersas na atemporalidade que imprime o som de suas águas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo é um fator determinante. Porém, ele nada determina. Ele sim segue sem esperar nada. E, deste jeito, sem empreender qualquer esforço, vê as ninfas de Médici enlodarem-se nas vagas de sua despreocupada passagem. Talvez por isso, o tempo de fato nada veja. Nem o lodo das ninfas, nem a permanência de Médici, nem as criaturas que buscam um tempo que já se foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao redor do tempo se vão defuntos os prisioneiros do relógio que não existe ao redor da Fontaine de Médici.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111809787304425760?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111809787304425760/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111809787304425760' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111809787304425760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111809787304425760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/06/um-resumo-da-vida-que-no-mais-espera.html' title='Um resumo da vida que não mais espera'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111784461294794708</id><published>2005-06-04T02:22:00.000+02:00</published><updated>2005-06-04T02:23:32.960+02:00</updated><title type='text'>O bairro da luz vermelha</title><content type='html'>Olha só que bijou pude ler hoje num livro que comprei - indicação, claro, de M. Merlot - chamado Poétique de la Ville (Pierre Sansot, Petite Bibliothèque Payot, 1996). Desculpe, mas vou tentar traduzir: "Aquele que fala do homem das cidades se condena à sublinhar o que não falta à verdade, mas isso é demasiadamente generalizante. Nós descrevemos a loucura solitária, o homem apressado que perdeu o senso e a possibilidade dos contatos pessoais e do qual a personalidade se dissolveu pouco a pouco na Metrópole. Sem no entanto recusar esse valor (o da psicosociologia), prefiro inverter a direção do trajeto: ir dos lugares ao homem. Assim, a dificuldade pode ser viver num quarto, numa prisão, num hospital, mas não se trata de uma mesma dificuldade."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marquei isso porque estava sentada num café "branché", numa mesa sobre o trottoir, depois de voltar de uma lojinha de chineses, onde comprei vermicelli, molho Pad Thai e um incenso que, segundo a dona do mercadinho, não era pra mim pois servia para momentos de oração. O que sabe aquela chinesa a meu respeito? Nada. Par contre, ela deve saber muito bem sobre si mesma. Portanto, deduz-se algo ao meu respeito também. Enchi a dona de pergunta: "como se faz essa massa?", "o que se coloca nessa comida?", "pra que serve essa palha?", "citronela na comida parece com o que?", "isso é doce ou salgado?", "esse incenso que mais parece uma trolha amarela queima durante quantas horas?". Ao final da sabatina, a chinesa estava toda suada e com os olhos arregalados. Só ali foi possível estabelecer um contato mínimo com esse povo hermeticamente fechado. Depois que me sentei no meio da francesada pruma bier blanche, vi como em Belleville existem mundos que não se interpenetram. Por vezes, é preciso encarar como se fossem "corpos sem alma" que se cruzam na calçada, uma indiferença escrupulosamente elaborada e já naturalizada para poder atravessar a rue Faubourg du Temple e a rue de Belleville sem cair pra trás, tamanha a confusão linguística e de perspectivas de vida num mesmo metro quadrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, acho que vale a pena fazer o que eu fiz hoje. Vou deixar aqui uma boa dica (não me levem à mal...): trem Paris (Gare d'Austerlitz)-Pirineus-Barcelona. Doze horas de viagem cruzando as montanhas lá em baixo da França, até a Catalunha. Presente que me dei de aniversário, eu sinto que mereço. Mas queria dizer o segouinte: Gare d'Austerlitz, atravessar o Sena, Gare de Lyon, pegar o 65 ou o 20, passar pela Bastille, entrar na rue des Beaumarchais (éden da fotografia) e saltar na Republique pra ir à pé até Belleville margeando o Canal de Saint Martin. O Canal de Saint Martin é tão marcante quanto o metrô de Paris. Esse povo sabe mesmo a importância dos transportes. Só não sabe ainda a importância que esses transportes todos têm prum estrangeiro que chega aqui, porque parar TUDO antes de uma da manhã parece coisa de....os franceses a-do-ram correr nas escadas "Anne Roulin" e nos corredores do metro. Como correm! Fico vendo isso tudo do trottoir, da beira do canal, detrás de um balcão chinês, respirando o odor dum narguile. E o povo todo correndo, correndo, bufando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cosmopolitismo tem limites! Ora, cosmo-polite é a polidez de soi même, um constrangimento das idiossincrasias. Demanda uma certa hipocrisia, um cinismo. Por outro lado, obriga uma contenção que me agrada, uma contenção dessa nossa mania de intimidade à primeira vista. 'Cosmopolite' é um bom nome pra sabonete. O rótulo poderia trazer um buda rindo, ostentando aquela barriga, nem aí, satisfeitíssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taí: "Cosmopolite: le plaisir de la plaisanterie dans la douche", e tome Buda rindo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só posso dizer o seguinte: comemos hoje numa mesa trés interessante num tailandês supimpa. Pedi tudo o que não conhecia, e acabei conhecendo, por isso, "medusa au citronelle" (parecia cutículas com gengibre) e "bu bon" (um prato que no final vira uma sopa, com tudo o que tem direito: amendoim moído, vermiceille, broto de feijão, gengibre, a tal da citronela - boa também para mosquitos - hortelã, coentro, salsinha e carne de boi). Uma partouse gastronomique com vinho rosé. Chose de loc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta lembrar o seguinte: à parte esse ensaio psico-litero-trópico a la Jack, o Estripador, a Gare d'Austerlitz é mais um desses lugares de constantes idas e vindas ("mande notícias do mundo de lá...") mas é também mais um desses lugares que mantêm os judeus pós-guerra conscientes de si mesmos. Dali sairam quase 4000 para Auschwitz em 1941. E em 1996, cerca de 600 prostitutas e meia dúzia de cafetinas saíram da Cidade Nova pro gueto de Varsóvia, quer dizer, pro garimpo da Praça da Bandeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ê ê mundo dá volta, camará. É tudo mais do mesmo. que sono!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111784461294794708?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111784461294794708/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111784461294794708' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111784461294794708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111784461294794708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/06/o-bairro-da-luz-vermelha.html' title='O bairro da luz vermelha'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111735538878805936</id><published>2005-05-29T10:24:00.000+02:00</published><updated>2005-05-29T10:33:08.666+02:00</updated><title type='text'>mon vélo - II</title><content type='html'>Achei algo de 'bem francês' na carta dessa vítima do ladrão de bicicletas. Trata-se de algo trágico: ele (ou ela) anuncia aos seus vizinhos, à &lt;em&gt;concierge &lt;/em&gt;e aos &lt;em&gt;piétons&lt;/em&gt; que sua confiança partirá deste mundo - se a sua vélo não voltar pra casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111735538878805936?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111735538878805936/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111735538878805936' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111735538878805936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111735538878805936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/05/mon-vlo-ii.html' title='mon vélo - II'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111735495371096594</id><published>2005-05-29T10:22:00.000+02:00</published><updated>2005-05-29T10:22:33.726+02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/1024/IMG_0399.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #FFFFFF; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/400/IMG_0399.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;mon v�lo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111735495371096594?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111735495371096594/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111735495371096594' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111735495371096594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111735495371096594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/05/mon-vlo.html' title=''/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111719775147888248</id><published>2005-05-27T14:37:00.000+02:00</published><updated>2005-05-27T14:48:21.183+02:00</updated><title type='text'>Caderno de campo - conseil du quartier 20éme</title><content type='html'>Oi, Mello&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui hoje lá pra reunião do conselho de moradores de Belleville, numa escola na rue Etienne Dolet, paralela à rue Menilmontant. Cheguei um pouco cedo e andei por ali, que lugar interessante. Paris só tem estrangeiros mesmo. Caminhei seguindo o trottoir com todos aqueles bazares árabes em busca de um chá verde (salvei meu estômago com ele) e vi, em um beco, uns homens agrupados diante de uma pequena porta. Imaginei mil coisas relativas ao universo masculino que conheço: ou havia ali uma TV transmitindo algum jogo, ou era um puteiro, ou alguma outra coisa qualquer sendo vendida. Era um bequinho. Continuei até a loja, comprei o chá de um argelino e, quando voltei pelo mesmo caminho, olhei novamente pro beco. Lá estava a turma toda ajoelhada de frente pra Meca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reunião começou pontualmente às 19:00. Ela acontece a cada 3 meses, e a transcrição que li com o Cefai na Mission de La Democracie Local havia sido gravada na última, qui a eu place en février. Cheguei uns dez minutos antes, fui falar com a Marion e fiquei ali vendo as pessoas chegarem. De repente entrou um senhor apertando a mão de todo mundo. A minha, inclusive. Era o maire do 20 éme, um político. A Marion assinalou isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia uma mesa enorme, onde foram se sentando os membros da diretoria do conselho, pessoas engajadas na Democracie Locale e da Mairie. Estava também na mesa o Raul Velasco, o artista plástico que conhecemos naquele domingo. Às 19:05 começou a reunião, com mais ou menos 40 pessoas. Antes das 20:00 a sala já estava repleta. Algo em torno de 80 pessoas de ambos os sexos e idades. Cada um foi chegando sozinho, como bom franceses que são. A pauta de discussão foi basicamente o Plano Locale d'Urbanismo (PLU) Uma secretária adjunta do maire apresentou o plano com o seu datashow, dizendo em seu preâmbulo que a Mairie entende o papel decisivo do quartier de Belleville na questão do logement social. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do material que ela projetou, anotei algumas coisas: o PLU foi deliberado em 2001, quando fizeram o tal diagnóstico, entre outubro de 2001 à abril de 2002. Em 2003 começaram os debates sobre o projeto, mas a elaboração das propostas locais já estavam em andamento desde setembro de 2002, e seguiram até novembro de 2004, ano em que começaram a fazer a imprescindível enquête. Tudo isto, quer dizer, o plano, segundo o discurso da Mairie, teve sempre como objetivo "reduzir as desigualdades sociais". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de então começaram a aparecer mapas no telão. Primeiro foram mostrados os projetos urbanísticos destinados às portas de Lilás, Montreuil e Vincennes. Tive problemas com a compreensão nesse momento, porque estava anotando e ela estava dando muitas referências de cada uma dessas portas - dommage. Depois entrou em cena mais outro mapa; este mostrando Paris dividida em 11 zonas, 07 POS de quartiers, 10 zones UO e 43 PAZ. Não faço idéia do que tratam essas siglas, e em seguida vieram muitas e muitas outras. Mas o segundo mapa mostrava Paris dividida em outras 04 zonas: Zonas &lt;br /&gt;Verdes (praças e parques), Zonas Naturais (os bois de Bologne e vincenne), Zona Urbana de Grandes Serviços Urbanos (com hospitais, indústrias, comércio) e Zona Urbana Geral. Em seguida, ela apresentou outro quadro mostrando o COS (Coeficiente de Ocupação do Solo), onde aparecia uma Paris em que o Oeste e o Centro são identificados como áreas eminentemente residenciais, e o Leste e o Norte como áreas mais "embaraçadas", diante do quadro das classificações da Mairie. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso para mostrar à audiência, imagino, como a cidade é pensada, em que termos e com quais propósitos, para em seguida conduzir a apresentação para o foco de interesse dos que estavam ali: os moradores de Belleville. Só uma nota: perguntei pra Marion se os muçulmanos, os chineses e os outros tantos grupos que moram ali participavam dessas reuniões, mas pas de tout. Continuemos, pois. Em relaçào ao quartier, foram projetadas fotos de batiments com vocações específicas, como, por exemplo, o 104 da rue de Coronnes, cuja vocação é para o abrigo de ateliers. A secretária enfatizou que caso ela seja um dia vendido, ainda assim será obrigatoriamente destinado para esse fim. Entráramos, então, no universo assegurado pelo label 'Proteção das Formas Urbanas e Patrimônio Arquitetural'. Mais siglas &lt;br /&gt;vieram: TMP (Traitement Morphologique Particulieres), ou seja, "filets de hauteur" e volumétrie existente à conserver, quer dizer, proteçào dos espaços verdes internos, das cours, como formas urbanas a serem preservadas inclusive pelo seu teor de importância social, ou seja, é na cour que há um convívio entre moradores, uma troca, o que talvez impeça prejuízos psicológicos, surtos psicóticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, passou por mim uma lista de abaixo assinado para a abertura de uma passagem entre a rue des Cascades e a rue de la Mare. O pedido era promovido pela La Bellevilleuse, Les Coteaux de Belleville e pelo Les Ateliers d'Artistes de Belleville, que pretendiam com isso "rétablie la situation initiale prévue par le projet: que le public puisse fréquenter le jardin Simone Signoret et q'un gardier de square soit embauché pour assurer la sécurité des lieux". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A secretária adjunta continuou sua apresentação mostrando os imóveis a serem protegidos: um na esquina da rue de Belleville com rue de Tortille, outro no coin de r. de Belleville com Rebeval, o 38 da rue de Belleville, um no coin de Rue des Savies com Cascades, o 5 rue Ernest Lefévre, 116 quai Kennedy (Radio France). As formas de abertura das janelas, o comércio au rés de chaussés e outras características que denotavam construções do século XVI e XVII foram assinalados como aspectos importantes a serem preservados no bairro. E ainda o chamado Setor de Maisons et Vilas, onde estavam sob proteção as cours, de maneira a guardar também uma volumetria específica (certamente é ignorância minha, mas não sei a que se refere essa volumetria: se à densidade, se à chuva, se ao verde, não sei). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro item, introduzido pelo interior, era o chamado Proteção da Paisagem Urbana: respeito às normas de construção, às posturas do quartier. Mais mapas e também plantas com medidas de altura de telhado, "pé direito" (eu acho) e andares. A cour novamente entrou nas observaçòes, como sendo necessário proteger o chamado "espaço verde interior". Para o verde surgiram mais siglas: EVP (espace vert à proteger), ELV (espace libre à vegetalizer), ELP (espace libre à proteger) e EAL (espace à librer). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de tudo, foi dito ainda que os moradores podem acessar o plano pela internet e, ainda, terão disponíveis no outono o bilan dessa última enquête feita no quartier. Outra nota: a secretária disse que as pessoas poderiam endereçar suas dúvidas e sugestões em seu próprio nome, mas que era sabido e notório que o peso do coletivo era muito maior. Dito isso, um dos membros do conseil lembrou que "as pessoas têm mania de reclamar, mas se esquecem sempre do mais importante: de dizer o que estão querendo". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os presentes então começaram a fazer perguntas. A primeira que surgiu foi sobre um estacionamento de velô. Outra foi sobre como proteger os espaços verdes, outra sobre os subsolos dos batimentes de Belleville. Houve ainda uma crítica sobre a preservação de um dos lados da rue de La Villete (o lado que pertence ao 20) em relação ao lado que pertence ao 19. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo homem que falou das reclamaçòes de muitos moradores criticou também os arquitetos: "Eles têm uma visão muito reduzida dos usos do bairro". Também me chamou a atenção como que a vida do quartier, os seus usos e a arquitetura em cada rua foram expostas com tanto conhecimento pelos que expuseram suas opiniões. Parecia haver uma relação íntima dos moradores com o bairro. Mas eu queria dizer que em nenhum momento um ou outro grupo foi mencionado, quer dizer, acusado por qualquer tipo de mazela do bairro. Minutos antes eu estava vendo alguns muçulmanos rezando de frente pra Meca - ou de costas pra Jerusalém? Umas africanas carregando seus filhos em tipóias. Pensei também muito na Cruzada, e pensei também na reunião da Regional Sul da FAM-RIO e do Congresso da Federação. Nessas as acusações ao outro são frequentes. Aliás, não existe reunião ali em que não haja alguém para se atirar "culpas". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia uma mesa onde estavam dispostos vários papéis sobre o bairro, jornais, folders e, o mais supreendente, um convite feito pela Mairie do 20 com a pauta da reunião de hoje. Peguei todos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falei pra Marion que vou tentar escrever algo sobre essa reunião de hoje e trocar com ela algumas impressões. Vai ser uma boa oportunidade para ter o retorno de alguém que milita nas associações de quartier de Paris. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã vou fazer um exame médico e quando voltar, vou tentar falar com você, ok?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um beijo, boa noite &lt;br /&gt;Soraya&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111719775147888248?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111719775147888248/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111719775147888248' title='3 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111719775147888248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111719775147888248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/05/caderno-de-campo-conseil-du-quartier.html' title='Caderno de campo - conseil du quartier 20éme'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111705999369902039</id><published>2005-05-26T00:05:00.000+02:00</published><updated>2005-05-26T00:26:33.703+02:00</updated><title type='text'>mea culpa</title><content type='html'>Há vida além da norma ici, c'est vrai. Uma cidade como outra qualquer, onde é preciso descobrir onde se encontra a cartilagem do calcanhar de Aquiles. Et, voilá! Elle est lá bas, au Pigalle, biensûr, mais aussi au Gare du Nord, onde aprés des bières demi de Leffe belge j'ai reçu le numero de Romuald, le serveur d'Aux Villes du Nord, gentilesse - on peut dire comme ça - donné à cose des moules et du demi bière "au montants". Ou à cose de mon charm, quand même!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas qu'ils y ont, ils y ont, des petits enferns avec des lumiéres bleu au toillete et des gens en se frottant au fond du comptoir. Era tudo que eu pedi à Deus! Que "saudade" desse aroma, disons, "pas trop jolie".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças ao google é possível ver au tour du monde quais são as imagens do Pigalle e da Gare du Nord. Pigalle se resume à sexo (trés limité, par contre, au moins à moi) e a Gare du Nord, claro, à gare. Mas há muito mais entre o céu do norte e o trottoir da gare do que pode imaginar a nossa vã filosofia calcada nas imagens do google. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BIENSÛR!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na próxima, vamos à sociologia, pois tenho aqui uma bolsa do governo brasileiro. Par contre, isso não interessa à persone qu'à moi. "Brésiliene: Michnicht voll!!" com essa tensão pós-colombiana!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rien à voir. Pas la belge. Vive la france! Et Pernambuco, plus encore!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111705999369902039?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111705999369902039/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111705999369902039' title='2 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111705999369902039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111705999369902039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/05/mea-culpa.html' title='mea culpa'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111683943610970473</id><published>2005-05-23T11:01:00.000+02:00</published><updated>2005-05-23T11:10:36.113+02:00</updated><title type='text'>Arts et Métiers</title><content type='html'>Meu amigo Flávio Tabak não se esquece de mim - ou do meu passado, não sei bem ainda -e por isso me mandou uma reportagem sobre a Vila Mimosa. Estava lá o Davi, ex-macaco gordo da Ong Davida; a "Tia" Verônica, que aluga quartos pras "meninas"; as próprias "meninas"; o vendedor de canetas e calcinhas; as velhas idéias "eu vou tirar você desse lugar" traduzidas agora, pros tempos modernos, sob o rótulo de mini-cursos de empreendedorismo. Trés bien! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu já ia me esquecendo que estavam lá também a culpa, a vítima, a evocação da família, a tal condição "de merda" que impede as meninas de irem ao cinema, comer no MacDonald e comprarem roupas, e que por tudo isso as levou até aquele último degrau. Viria daí a palavra degradação? Mas que merda, digo eu! O puteiro é o lugar mais tradicional existe! Paris parece um enorme puteiro, pelo menos nas ruas, pois é tudo tão certinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho cá pra mim que aquela cidade que eu tinha no meu imaginário, cidade com músicas de Gainsbourg e com ares existencialistas (traduzindo: 'ninguém é de ninguém'), existe mas sem esse tipo de poivre. Existe na hora de pegar o metrô. Acho que o subterrâneo de Paris se encontra mesmo é dentro das casas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111683943610970473?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111683943610970473/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111683943610970473' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111683943610970473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111683943610970473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/05/arts-et-mtiers.html' title='Arts et Métiers'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111659701527306283</id><published>2005-05-20T15:50:00.000+02:00</published><updated>2005-05-20T15:50:15.276+02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/1024/Numriser0014.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #FFFFFF; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/400/Numriser0014.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Belleville, rue Lesage, par Kaminska, avant la renouvelle fasciste.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111659701527306283?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111659701527306283/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111659701527306283' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111659701527306283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111659701527306283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/05/belleville-rue-lesage-par-kaminska.html' title=''/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111659657829718849</id><published>2005-05-20T15:42:00.000+02:00</published><updated>2005-05-20T15:42:58.300+02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/1024/DSC01391.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #FFFFFF; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/400/DSC013911.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;selvagens brasileiras fazendo a festa na primavera&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111659657829718849?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111659657829718849/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111659657829718849' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111659657829718849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111659657829718849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/05/selvagens-brasileiras-fazendo-festa-na.html' title=''/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111659625792605327</id><published>2005-05-20T15:04:00.000+02:00</published><updated>2005-05-20T15:37:37.933+02:00</updated><title type='text'>Chez Comte, comme les positivistes!</title><content type='html'>Hier: rendez-vous Groupe Sociologie Politique et Morale, coordené par Luc Boltanski et Thévenot. O GSPM funciona na casa onde morou Auguste Comte, na rue Monsieur Leprince, número 10. Cheguei cedo, passei antes no Moutons au Cinq Pates pra ver uns casacos, uns lenços, enfin, faire mon poche se rendre compte de sa prochaine douleur!... E embaixo da casa do ícone inspirador da nossa república brasileira, uma lojinha de Acunpuntura. Entrei lá. Eram três senhoras chinesas na linha de frente, sendo que uma delas parecia ser a mãe. Dediquei todo o meu esforço para perguntar àquela senhora se, por acaso, havia ali algum livro que pudesse tratar de uma "maladie" que eu não sabia ao certo o nome em francês, mas que ainda assim tentei lhe explicar os sintomas usando como mediador de nossa suposta conversa o meu francês macarrônico. A senhora ouviu tudo, não sei se atentamente - os chineses sempre me dão uma sensação de incógnita - e, quando finalmente terminei minha explanação, descobri que ela não passara de um monólogo: a velha chinesa apenas balançou a cabecinha, como quem diz: "eu não entendo bulhufas de francês". E pensar que nesse dia eu havia almoçado com dois jovens chineses no restô da cité universitaire. O diálogo: "xi xing mi phu foo xu yang li". E de repente, não mais que de repente, um dos dois, não importa qual, soltava um "risinho", pois assim é que é. Impossível estabelecer qualquer conexão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas perdi a noção do tempo. Saí de lá correndo e entrei na casa do Comte. Perguntei ao pintor pelo ms. Marc Breviglieri, e ele me recomendou que fosse subindo as escadas. Não estava entendendo nada daquele local, até porque até agora pude ver que até as horas os franceses informam errado - embora eu não goste de generalizações, isso aconteceu aos montes. Mas, enfim, sou brasileira: chupo cana e assobio. E cheguei lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À parte a ambiência, que está aqui gravada em minha mente, a retórica é demasiada para mim. A ambiência me toca na alma. O clima é &lt;em&gt;individuoland&lt;/em&gt;. Tenho aprendido aqui mais do que pudesse ousar imaginar. A politesse do bonjour, bon soir e bon journée definem bem as relações. Fico desembaraçada dos sorrisos além desse segundo que a norma exige. Aliás, a norma aqui exige muito e sempre, de maneira a que o tal do indivíduo possa se manter íntegro na sua condição de ser único, pero igual. Só vivendo. Boltanski acredita que é assim no mundo todo. Seus seguidores também parecem que pensam assim, e alegam cegamente que qualquer homem é capaz de sofrer e de se sentir injustiçado, pero não compreendem que os sentimentos de injustiça dependem de uma compreensão de si próprio, de uma &lt;em&gt;condição&lt;/em&gt;. Foi preciso dizer que havia ali um positivismo talvez emanado pelá alma penada de Comte, mas não disse. Disse só que talvez por ser brasileira eu pudesse compreender perfeitamente o que a formidável italiana ali dizia sobre a Itália, depois de uma viagem que passou pela Cidade Celestial de Santo Agostinho até o mundo 1984 de George Orwell. Mas não, o francês do GSPM não compreende que esse indivíduo cidadão só existe aqui. Que fora daqui a gente se demanda como parte de uma família da qual é praticamente impossível se desembaraçar, que temos ou não temos "berço". E que precisamos, catolicamente, dar aos pobres e descobrir que nossos pretos são limpinhos. E que andamos mais cheirosos do que nossos irmãos daqui porque temos uma mucama pra lavar nossas roupas toda semana e limpar nossos banheiros com a destreza de um cirurgião. Somos muito diferentes. E a principal diferença é que eu (brasileira) sei disso, mas eles (Boltanski e Pataroni, pelo menos) não sabem! Incroyable. Parece que estou constantemente sob o efeito do &lt;em&gt;caapi &lt;/em&gt;aqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso dizer que eu só me lembrava do Isaac Joseph ali, naquela sala hermeticamente fechada e silenciosa (os franceses são essencialmente diádicos, sabe, antropólogos?). Lembrei quando o Isaac acabou dizendo ao boltanski que estava muito mais interessada na forma como as pessoas roncavam à noite do que no "Novo Espírito do Capitalismo". Eu me senti com ele ali. Até porque havia atrás de mim uma foto do Isaac e outra do Mello, ambos rindo muito. Eram as únicas fotografias daquele laboratório. E logo de quem??!!!! Isaac e Mello, o que há pra mim de mais sólido e ousado em todo esse mar de pensamento e de retórica, aqui e acolá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não dá pra não acreditar em nada. Não posso ser cética mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é a vida. É preciso ter olhos de ver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111659625792605327?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111659625792605327/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111659625792605327' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111659625792605327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111659625792605327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/05/chez-comte-comme-les-positivistes.html' title='Chez Comte, comme les positivistes!'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111598084983849348</id><published>2005-05-13T12:40:00.000+02:00</published><updated>2005-05-13T12:40:49.840+02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/1024/IMG_0155.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #FFFFFF; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/400/IMG_0155.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cefai e Mello&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111598084983849348?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111598084983849348/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111598084983849348' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111598084983849348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111598084983849348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/05/cefai-e-mello.html' title=''/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111598002731721572</id><published>2005-05-13T12:03:00.000+02:00</published><updated>2005-05-13T15:27:59.920+02:00</updated><title type='text'>Cooperação Internacional 447/04</title><content type='html'>Ontem fui desviada do meu plano de estudo primaveril sob as árvores do Montsouris porque no meio do caminho havia uma cabine telefônica, e eu liguei pro meu orientador, monsieur Merlot Cavernet. Après le prémier "bonjour", il m'a dit: "Anota aí". Terminava ali minha &lt;em&gt;promenade&lt;/em&gt;. Às 15:00 fui pro Mission de la Democracie Locale, participar de uma reunião sobre o conselho de moradores de Belleville, convidada pelo meu co-tutor de tese aqui na França, monsieur Daniel Cefai. Que sujeito bacana, generoso e simpatissíssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas coisas me chamaram a atenção nesse primeiro dia que eu já passei a considerar como o de início do meu trabalho de campo aqui. A primeira delas é o envolvimento participativo mesmo de pessoas jovens em tudo o que diz respeito à vida política da cidade, do país e da união européia. Não preciso nem ir muito longe. Basta ver como funciona uma associação de um dos 20 &lt;em&gt;arrondissements &lt;/em&gt;de Paris. Outra coisa que me tocou foi a dinâmica desse nosso encontro, porque o Daniel simplesmente pegou a transcrição da última reunião do conselho, com suas quase 50 páginas de discursos os mais variados, e foi ponto por ponto chamando a nossa atenção para os argumentos dos habitantes, para as estratégias retóricas, a entrada dos "atores" importantes que articulam o jogo com o poder público, a remissão ao espaço local do bairro, a citação dos problemas locais, a tentativa de generalizá-los através do tal repertório de argumentação. Meus amigos da UFF: in loco eu pude ver que o cara é realmente de uma generosidade sem par. É o "Arènes publiques et la retorique du bien commun" e mais alguma coisa, pois que com o par de olhos doces e azuis para completar a explanação. Havia ainda mais um dado que não deixei passar em branco: notei que a transcrição de apenas um lado da fita K7 tinha dado 21 páginas de discursos, quando que uma reunião na Cruzada, um lado dava apenas, quando muito, 10 páginas. Comentei com o Daniel. O problema é que lá na Cruzada todo mundo fala ao mesmo tempo, e não demora cinco minutos a porrada começa a rolar verbalmente e os dedos começam a se levantar na frente dos narizes alheios. A moeda da incivilidade é realmente legitimada nessas arenas, de uma forma ilustrada &lt;em&gt;assez &lt;/em&gt;sinteticamente pela velha "lei de gerson". Tipo: "deixa aquele desgraçado fazer primeiro o que é proibido porque aí eu vou lá e faço igual, porque eu também quero me dar bem, e ai de quem tentar me impedir, porque eu não sou otário, e quero saber primeiro do meu pirão". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mais gritante diferença entre o público daqui e a coisa pública da gente no Brasil é essa. Aqui todo mundo é socializado - há mais de 200 anos - para se saber integrado e fundamentalmente responsável por um interesse que se traduz como coletivo. Chez nous, par contre, o público é o espaço onde a gente vai para tirar uma lasquinha. Talvez não seja exatamente isso, mas que ele é visto como uma batata quente que não se deve tocar demais (ou se deve devorar com todos os dentes), lá isso é. E aqui, por outro lado, nêgo se vê como parte constitutiva mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que depois de tudo tive o prazer de receber de presente um "parcour commenté" de Cefai pelo Marais e pela rue Ramponeau, em Belleville, onde vimos uma negociação de tráfico na base do maço de notas de 20 euros. Perguntei pro meu co-tutor que droga cara ela aquela, e ele me disse que devia ser a heroína. Pô! Em Portugal o gajo me pediu só 5 euros pruma dose! É mais fácil pegar um trem pro Porto do que se picar em Belleville, &lt;em&gt;quand même&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto, continuo flanando um pouco, e escrevendo muito. Julien voltou há cinco dias e há dois dias nos encontramos em Montmartre. Ele arrumou um studio ao lado da Sacre Coeur, com todo o silêncio do mundo e perto de toda aquele burburinho que há ali por perto, com a vista da colina e o verde das pequenas ruelas lá de cima. É quase vizinho do falecido Erik Satie, vejam só que maravilha! Depois dum "HLM" indiano, comemos num tailandês de impressionar lá em Belleville, na esquina de Monsieur Merlot. Quel plaisir, mes amis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é por isso que eu vos darei o prazer de regarder-lá dois dos responsáveis por esse acordo Capes-Cofecub, responsáveis igualmente pela orientação da minha tese de antropologia urbana, e responsáveis certamente ainda pelo parto de muitas percepções que atualmente povoam esse mundo de mobilidade e de &lt;em&gt;échange culturel&lt;/em&gt;: Cefai e Mello, ontem, num jantar na casa da Patrícia onde estavam todos que eu conheço aqui em Paris: kétia, kátia, augustin, mello, cefai e michel misse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parfait! Merci beaucoup, mon angel de la guard!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111598002731721572?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111598002731721572/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111598002731721572' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111598002731721572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111598002731721572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/05/cooperao-internacional-44704.html' title='Cooperação Internacional 447/04'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111559322109230388</id><published>2005-05-09T01:00:00.000+02:00</published><updated>2005-05-09T01:00:21.096+02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/1024/liberty.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #FFFFFF; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/400/liberty.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;tá na raiz: abaixo o sutiã! Liberdade de peito aberto!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111559322109230388?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111559322109230388/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111559322109230388' title='1 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111559322109230388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111559322109230388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/05/t-na-raiz-abaixo-o-suti-liberdade-de.html' title=''/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111559319369964280</id><published>2005-05-08T23:47:00.000+02:00</published><updated>2005-05-09T01:12:47.676+02:00</updated><title type='text'>Non à cette constitution européenne!</title><content type='html'>Na feira de hoje, depois de ensacar uns queijos, umas lentilhas e umas linguiças, comecei a ensacar quase involuntariamente uns panfletos distribuidos por membros do Partido Comunista Francês e do ATTAC (Association pour la Taxation des Transactions pour l’Aide aux Citoyens), sobre o plebiscito de 29 de maio, quando a França vai dizer sim ou não à Constituição Européia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o meu primeiro contato mais, digamos, "estreito" com um parisiense, que foi aquele estabelecido com o taxista que me trouxe do Charles de Gaule até o XIVéme, chamou a minha atenção o Traitée de la Constituition que o motorista trazia ao lado do seu freio de mão. Estando ali depositado o exemplar da proposta, pude entender que entre un &lt;em&gt;feu rouge&lt;/em&gt; e outro ele era lido por esse bravo &lt;em&gt;citoyen &lt;/em&gt; francês. Pedi pra dar uma olhadinha e tive então a primeira evidência da politização desse povo das bandas de cá. Dois dias depois, numa agência de &lt;em&gt;La Poste&lt;/em&gt;, fui informada pelo próprio sujeito do balcão que havia à minha disposição um exemplar da Constitution. Claro, peguei pra dar uma olhada e, como sempre, também enxergando nessa leitura uma porta para a minha socialização na língua e na cultura francesa. Afinal, por que o NÃO estampado em cada lixeira da cidade? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendo agora os folhetos que peguei hoje na feira, convencida pelo argumento intimador e malandro do pessoal do PCF - "vous êtes une citoyénne inteligente...", parecia até que eles já me conheciam... -, devo confessar que estou pensando seriamente em ir dia 15 ao Canal Saint-Martin para ver &lt;em&gt;in loco &lt;/em&gt; esse ritual tipicamente francês de se associar e de se manifestar quanto a tudo em termos de política. Ver com meus próprios olhos e sentir com minha própria pele esse afã de dizer SIM ou NÃO, de se sentir engajado na vida pública, ou melhor, de se perceber visceralmente implicado nas decisões e no destino político disso que se chama nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que vou me divertir à beça, e já estou preparando o meu saco de pipoca para ir assistir os argumentos de associações como: &lt;br /&gt;Agir ensemble contre le Chômage!&lt;br /&gt;Appel des 200 jeunes&lt;br /&gt;ATTAC&lt;br /&gt;CCC-OMC (Coordination pour le contrôle Citoyen de L'OMC)&lt;br /&gt;CGT&lt;br /&gt;Fondation Copernic&lt;br /&gt;Marches Européennes&lt;br /&gt;Coordination Féministe pour le NON&lt;br /&gt;Panthères Roses (humm...)&lt;br /&gt;SNUipp (Syndicat national unitaire des instituteurs professeurs des écoles et Pegc)&lt;br /&gt;Union des Familles Laiques (!!!)&lt;br /&gt;UNEF&lt;br /&gt;Union Syndicale Solidaires&lt;br /&gt;et d'autres&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um resumo do sentimento geral pode ser feito com a frase de passeata de todos os "companheiros" do mundo:&lt;br /&gt;"Contre cette Europe-là, une autre Europe est possible". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tout c'est vraiment possible! Eu penso que isto é o que traduz melhor a crença francesa, produtora daquela velha máxima da revolução de 1789. E tem outra (esta transmitida oralmente - e solenemente - há séculos pelas mulheres da minha família materna, cujas origens remontam à Galia): "Voiloir c'est pouvoir", já dizia, sentenciosa, a minha tatatatatáravó. Acho que deve ser isso mesmo. Não sei... vou ver dimanche, levando o meu saco de pipoca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111559319369964280?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111559319369964280/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111559319369964280' title='2 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111559319369964280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111559319369964280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/05/non-cette-constitution-europenne.html' title='Non à cette constitution européenne!'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111555999528427205</id><published>2005-05-08T15:46:00.000+02:00</published><updated>2005-05-08T15:46:35.286+02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/1024/IMG_0139.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #FFFFFF; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/208/1621/400/IMG_0139.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;há algo de familiar aqui&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111555999528427205?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111555999528427205/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111555999528427205' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111555999528427205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111555999528427205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/05/h-algo-de-familiar-aqui.html' title=''/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12721868.post-111548301811624755</id><published>2005-05-07T18:00:00.000+02:00</published><updated>2005-05-09T01:10:40.306+02:00</updated><title type='text'>Moi, la flaneuse</title><content type='html'>É muito fácil viver aqui em Paris. Primeiro porque a cidade é um convite constante. Ainda mais na primavera, quando a vida explode por todos os lados. Segundo porque se não for a pé, vai-se de trem ou de metrô, e é praticamente impossível se perder aqui com essa logística tão sofisticada desenvolvida para o sistema de transportes. Sabe a história da flanerie? Ela também floresceu possibilitando outras tantas formas de locomoção para o flâneur moderno e na cidade em expansão. Paris é um tesão. E a prova disso é que ontem acordei, coloquei casaco e cachecol e saí para conhecer o Parc Montsouris, bem aqui em frente à Cité... e não consegui parar. Fui indo, num eterno gerúndio. C’est printemps, é primavera, e a vida anda explodindo a cada passo. Sem exageros. Acho mesmo que entendo porque aqui grama se chama pelouse: a natureza se manifesta tão exuberante nessa época...é de chorar. Muitas cores, pequenos insetos, muitas flores plantadas e voando, caindo das árvores e sendo levadas pela brisa leve e fria que não cessa. Elas e os pássaros são os que se responsabilizam pela vida que se suspende no ar. E há pássaros pra todo lado, como donos dos jardins. E há jardim o tempo todo. Até mesmo os prédios ficam barbudos na primavera. O meu vizinho está assim: cheio de trepadeiras gordas e bem verdes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou dar um breve résumé do meu parcours d’hier (se você arrumar um mapa de Paris na Internet vai ter noção do quanto andei). Mas se você quiser pular todo esse parágrafo único, não se constranja, porque com ele vou aproveitar e guardar pra mim também algumas impressões. Aliás, tirei o dia de hoje só pra isso, porque metabolizo muito devagar as experiências. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem... sai do Montsouris pelo outro lado, na Avenue Rene Coty. (Atenção: imagine que tudo é arbotizado e que a arquitetura da cidade inteira é extremamente harmônica). Nela há umas escadas que levam até pequenas ruas, no alto. Subi em uma e saí na Saint-Yves, virando em seguida na pequeníssima rue des Artistes, com grandes portas coloridas e janelas generosas através das quais pude ver como vive bem alguém com a minha idade e estilo de vida. A rua é um silêncio. Eu gosto. O XIVéme tem tudo a ver comigo, é basicamente residencial, nem um pouco turístico, e tem essa vida diversa sugerida pela cité, onde vive gente de tudo que é canto do mundo. Voltei dali para a Av René Coty e continuei até a rue D’Alesia, um pouco maior e com um bom comércio. Ali decidi fazer um teste: entrei numa lavanderia para pedir informação sobre imobiliárias. A mulher me indicou com toda gentileza. Cheguei na imobiliária e a mulher também me atendeu numa ótima. Saí e fui até o florista comprar gerânios, e ele não só me atendeu bem como descobriu o meu sotaque brasileiro. Era português! Ricardo. Dali fui até a farmácia comprar soro pro nariz e, também lá, colhi mais um sorriso bacana. E ainda encontrei uma loja de bicicletas novas e usadas. Entre 20 e 30 euros uma boa bicicleta holandesa, com cestinha e marcha. Beleza: segunda-feira eu compro pra ir ver o Thévenot à tarde numa sala da École, junto com o Mello. Mas continuei até a Place Victor et Helene Basch, de onde entrei na Avenue du Maine. É exatamente nesse cruzamento que fica um restaurante chamado Le Dome, que me fez lembrar a Glória. Mas, enfim, não parece nada. Mais à frente entrei à direita, numa pracinha onde uns caras estavam jogando petanque (uma espécie de bocha ou malha). Em frente, a Mairie do XIVéme, quer dizer, a prefeitura do arrondissement. Saí pela lateral, em frente à École Erik Satie, e segui até a Rue Daguerre. Essa estreita e longa rua é cheia de hotéis pequenos e baratos (51E o casal é barato) e muitos cafés e alguns petits restaurantes paquistaneses e iranianos – e embora esse bairro não seja, nem de perto, como Belleville. Dali segui reto até chegar novamente à Av. du Maine e dar de cara no Comissariat de Police, onde eu fui me informar para tirar o “titre de séjour”, obrigatório pra quem vai morar aqui. É o anjo da guarda, literalmente, trabalhando até no momento da flanerie. Nessa avenue, no fim, a gente vê a tal Tour de Montparnasse, um prédio enorme, acho que o mais alto da Europa, que pra ser construído destruir um pedação do 14 arrondissement. Foi um crime, de fato, porque é um tiro preto pro alto, uma agressão. Um pouco mais à frente, atravessei à direita e entrei no Cimetière du Montparnasse. Logo que cheguei, encontrei o Tristan Tzara, e sobre sua tumba um livro sobre vampiros, da Anne Rice, uma escritora americana. Eu peguei aquele livro, achando que faria algo com ele. Quis, na verdade, criar um sentido pra esse pequeno furto, achando por alguns instantes que isso me levaria a algum lugar. Já cansada de carregar aquele livro, acabei depositando-o sobre a tumba de um tal Auguste Pinel, ex-combatente francês. Sei lá...alguém talvez continue a dar sentido a esse quê totalmente desprovido de. De repente, uns jovens fotografando uma tumba. Era a de Baudelaire. Sobre ela, uma garrafa de absinto e dois livros de autores desconhecidos. Quiçá Baudelaire não pudesse dar uma mãozinha? A tumba era um verdadeiro despacho. E eu pensei seriamente em pegar aquela garrafa. Mas prossegui peregrinando, em plena primavera, pelo lugar dos mortos. Os corvos é que tomam  conta daquele ambiente. Eles cruzavam e minha frente como pombos, e eu não sei realmente o que atrai essas aves para aquele território. Eles ficam por ali, pretos, enormes, velando. De vez em quando soltam um grito. É sinistro. Queria achar a tumba do Durkheim pra me sentir segura. Ele estava em algum ponto da área dos judeus. Há ali duas áreas para judeus, mas como os túmulos são quase todos semelhantes, acabei não encontrando Durkheim, mas perto dali, a Simone de Beauvoir e o Sartre. Sentei perto deles, na tumba vizinha, para olhar o mapa mas um agent me pediu, muito educado, para me sentar num banco. Já estava de bom tamanho também esse passeio fúnebre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí dali e entrei no Boulevard Raspail, uma via importante aqui da cidade, igualmente bonita, cheia de bancos para uma paradinha, livrarias especializadas (aliás é uma redundância enfatizar a existência de livrarias aqui ou acolá, porque elas estão por todos os lados) e, mais à frente, os prédios da Sorbonne, da École des Hautes Études, da Maison de Science de L’Homme. Ali encontrei a Aliança Francesa e entrei pra saber de algum curso rápido pra quem vient d’arriver. Acho que vou fazer um de duas semanas pra afiar a língua (157euros! Pra cá, barato.). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei descendo e entrei na rue Vauginard, passei em frente ao prédio do Institut Catholique de Paris, na rue Dassas, e cai na grande rue de Rennes. Ali senti que havia chegado na região que se chama “badalada”, com umas pessoas bem vestidas, cheias de caras e bocas, cafés branchés (como se diz), lojas de tapetes caríssimos (3500euros), móveis, roupas. Desci por ela e entrei à esquerda numa rua também movimentada, mas menor e bem interessante, chamada rue du Vieux Colombier. Ali tem um teatro de mesmo nome, muito antigo, e talvez fora do circuito turístico. De lá avistei uma torre e me guiei por ela. Antes, passei no Carrefour de la Croixrouge (cruzamente da cruz vermelha), que me marcou porque ali tem uma escultura imensa do César (que também está em Montparnasse), de um centauro de ferro, feito com peças forjadas das mais diversas utilidades, mas que viraram sacos, músculos, pênis, dentes, línguas. E tudo preto, sobre um pedestal. Fantástico! Impactante. Talvez pelo erotismo e pelo porte do bicho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí cheguei na Place de Saint Sulpice, onde estava a tal torre, e vi que esta era a da igreja de Saint Sulpice. Entrei, sentei e comecei a apreciar a grandiosidade, enquanto descansava um pouco. Parar depois de um longa caminhada chega a dar uma certa vertigem, uma “onda”, certamente por causa da endorfina que o corpo libera. E parando eu pude me dar conta de coisas que o caminhar não permite por causa do movimento, des choses qui passent - et se passent. Parada ali sai da minha ilha, embora ainda nela, e ouvi e respirei consciente disso: não era o meu mundo, mas, por que não, um mundo amigo? Fui ler sobre a Eglise Saint Súplice e descobri que a sua construção foi aprovada no dia do meu aniversário: 15 de agosto, só que de 1645, para ser a paróquia de Luxembourg. “Legal”. E na saída ainda vi em tamanho natural a reprodução do Santo Sudário, com uma breve explicação. O que impressionou mesmo foi ouvir os comentários dos franceses que paravam ali: “Incroyable”. Me deu uma sensação de que era uma informação nova. Talvez não. Talvez sim. Sei lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí pela rue de Seine na intenção de desaguar no rio. Andei mais um pouquinho e cheguei no Boulevard Saint Germain, onde passei em frente ao Marche Saint Germain de Pres. Fraco. Superficial, “vide”, como pensei nessa língua: vazio de alma. Tanto que em frente havia uma boulangerie (uma padaria) e entrei para comprar uma baguette. Estava DURA! Vi então que ali, no 6éme, estava em plena região das aparências. Muito rímel e pó de arroz, muitos perfumes e muito burburinho, o que nos coloca em pleno risco de levar gato por lebre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo perto dali, porém, encontrei um lugar incrível. Realmente a cidade nos apresenta dessas surpresas inesperadas, para ser bem enfática. Sem contar que a cada cinco minutos de caminhada há uma estação de metro, um banco e um jardim, quer dizer, a cada cinco minutos a gente pode sentar, respirar ou simplesmente partir pra outro universo, dentro da própria Paris. Mas a surpresa era uma ruela bem pequena, que me fez abrir o mapa. Nele ela estava marcada com uma cor diferente, e eu ainda não sei porque. Mas esse pequeno miolo, essa ilhota, é composta por três ruelas: a Rue de l’Echaude, rue de L’Abbaye (abadia, como sugere o nome) e la Rue de Furstenberg. Em cada muro dali e mesmo do resto por onde andei, existem sinalizações, placas em pedra, indicando que “aqui morreu, assassinado pelos alemães, fulano de tal”. Entendo ainda mais o choro do Julien. Lá em Belleville eu vi, de madrugada, uma École Maternelle onde há também uma placa informando que ali, entre entre 42 e 44, as crianças nascidas judias foram raptadas pelos alemães e levadas para os “campos da morte”. Eu fotografei essa escola. Mas nesse miolo, além dessa memória mantida viva, há também dezenas de micro-galerias de arte, uma ao lado da outra, e livrarias especializadas em raridades caríssimas. A coleção dos livros com as cartas dos irmãos Grimm estava custando 1500euros. E essas três ruas praticamente não comportam a passagem de carros. Eles costumam passar pelas ruas maiores ao redor. É um miolo que tem ecos, você pode imaginar? E tem ali ainda o Musée Delacroix, mas tão discreto que não consegui sequer encontrá-lo. Falta um elemento importantíssimo pra você compor o seu quadro: os prédios aqui, esses prédios haussmanianos, como se menciona remetendo à época da reforma urbana, tem todos eles o que se chama de “cour”, quer dizer, atrás das grandes e pesadas portas de madeira ou de ferro e vidro que protegem a entrada, há uma passagem e logo em seguida uma espécie de praça privada, que são as “cours”. Quase todos os prédios aqui em Paris têm cour. A parte de trás deles é bastante acolhedora e agradável. Eu vi na casa do Augustin, mas depois - ou quiçá un jour - chego lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, continuei ali, vendo o que esses franceses fazem de arte, vi coisas mesmo da “taille” de um Picasso, outras mais originais, mas todas muito boas. Isso é bem legal: está tudo na rua, as expressões todas estão expostas nas vitrines, ali ou em Belleville, no 19 e 20éme, e quem quiser entrar é bem vindo. Desde que, é claro, se chegue bem. Pensando nisso, ouvi um assobio. Olhei pra cima e me dei conta de que estava sendo paquerada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os franceses são muito paqueradores. Qualquer lugar é lugar pra um galanteio. Isso é lindo! Eu gosto de ver as pessoas namorando aqui. Tem um ar infantil, doce, delicado, brincalhão. Tem também a curtição da cidade, das gramas, dos cafés, da beira do Rio. E tem ainda a intimidade da casa. É uma graça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali alcancei a rue Jacob e virei à direita novamente na rue de Seine. Passei por uma pequena place Pierne, e uns gatões de meia idade perguntaram se eu falava francês. Continuei andando. Perguntaram então se eu era espanhola. Aí mesmo é que continuei andando, porque me lembrei do Porto. Essa abordagem foi digna de observação. Quando se caminha, vai se indo num degradé pela cidade, pelos lugares, pelas horas, e vai se vendo, vivendo, o que realmente quer dizer essa tal de ecologia urbana e “regiões morais”, como diria o velho sociólogo de Chicago, o grande Ezra Park. A partir de um determinado momento, passei a ser abordada. O passeio começou a sofrer pequenas intervenções, porém facilmente resolvidas com a ostentação de um certo ar distraído, de quem não percebe nada. O importante nessas horas é não se deixar contactar pelo olhar. Não entrar no jogo. O olhar é um fio condutor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, on y continue! Passei pela pequena place Pierne, passei pelos gatões abordadores, e também por baixo do arco de uma passagem por sobre um bonito prédio. Esse verdadeiro portal me levou à uma esplanada esplendorosa, que é a Place de L’Institut de France. Ou seja, esse prédio bonito, acastanhado, de pedra, como todos, mas suntuoso, é o prédio da Academia Francesa de Letras. O reino desses caras que a gente gosta de ler ou conhece no Brasil: Levi-Strauss, Tocqueville, Anatole France, Bachelard, Berlioz, Pasteur. Estava, enfim, entre a Quai Malaquias e a Quai de Conti. Quai = Cais. E em frente, a Pont des Arts, que atravessei olhando toda aquela gente sentada no chão, pegando sol, bebendo vinho, cerveja, comendo, verdadeiros piqueninques sobre ou à margem do Sena. Cheguei em plena primavera, e pela vida intensa nas ruas e nos corações – pois que me parecem todos muito abertos –, eu posso imaginar o sofrimento do inverno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos, no entanto, à marcha da Rive Gauche à Rive Droit! É que fiquei vendo aquela gente toda ali, cada um na sua, e me deu uma alegria...é o encanto da paixão. Saí da ponte e já havia mais um outro sujeito querendo fazer graça para chamar a minha atenção. Acontece que aprendi que local turístico não é dos melhores pra se dar trela. Existem neles umas combinações muito características, algumas armadilhas. É notório. E só fui aprender em Portugal, mesmo tendo trabalhado tanto tempo atentando para essas áreas, que em muitos lugares se caracterizam como áreas de prostituição, que muitas vezes denotam o espaço do turista também. Má quê! Me parece questão de experiência, do bom e velho – mas não tardio – abrir de olhos. Tem jeito não: podemos ser de um lugar sem necessariamente sermos dele, e podemos não se jamais nem mesmo do lugar do qual achamos que somos. C’est drôle. Tal sintonia fina, tal espírito, nos põe e tira dos riscos como se fôssemos marionetes de nós mesmos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, depois da ponte, ou melhor, do outro lado, estava um pequenos “jardin”, este tipicamente francês, ou ao menos daqueles jardins da corte de versailles: certinhos, domesticados, desenhados para o deleite e frivolidade de uma certa aristocracia. O nome do tal Jardin era Jardin de L’Infante, e, ainda distraída por ele e pela suntuosidade do bâtiment (do prédio), quase não vi que estava prestes a atravessar um grande arco para chegar, finalmente, na grandiosa Cour Carré, na traseira do Louvre. Só ali me dei conta de onde estava. Ou seja, se o Louvre fosse uma cobra, me picava. Quando saí de casa ontem não pensei em desembocar em nenhum lugar em especial. Só sabia que ia caminhar pelo Parc Montsouris. Mas, bom... a vida é cheia de surpresas mesmo. Como não podia deixar de ser, um violoncelo alcançou os meus ouvidos. Nos locais turísticos esses sons nos alcançam logo. Era um jovem rapaz em busca de alguns trocados. Mas não só isso: ele contribuía para a alma do local com a sua música e com um dos olhos que de vez em quando abria, apesar da face compenetrada, para ver quantos estavam a lhe observar e poder calcular o lucro entre um golpe de arco e outro. O menino era bom. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei dali pra Cour de Napoleon, onde está a pirâmide do Miterrand, quer dizer, a pirâmide do Louvre. “Bom lugar pra sentar e comer, finalmente, a minha baguette”, pensei. Bom mesmo porque eu estava faminta. E havia um sol. Comecei a olhar, sem conseguir pensar direito – o que deixei pra fazer agora: os turistas parecem formigas. Eles se movimentam excessivamente. E riem. Quando não estão rindo, estão mortos. Não estão nem cansados. Estão mortos mesmo. Talvez porque o turista opte por fazer fora de casa tudo aquilo que ele jamais faria, que não tem o menor interesse em fazer, e nem mesmo saberia por onde começar a fazer, ainda que estivesse no seu  próprio habitat. Mas fora de casa ele se engaja nessa aventura, e aí você pode imaginar o dispêndio de energia. Outro dia caí sem querer na Ile de la Cite, ali onde está a Notre Dame, e também fiquei cansada só de ver. Entrei, claro, até porque tinha um corcunda cego na porta pedindo esmolas e eu fotografei ele. Parecia um sinal. Um sinal do quanto tudo isso é fantasioso. Enquanto eu estava sentada ali mordendo a minha baguette à Lyonnais (quer dizer, um sanduíche de salame com picles), passou de novo o cara das gracinhas. Imediatamente mirei numa belíssima escultura, no ponto mais alto que pude alcançar, e o cara esmoreceu e foi-se embora. Não pretendo voltar por aquela área nos próximos dois meses. Daí a idéia de aproveitar que estava ali e emburacar na reta que terminava, lá bem na ponta, com o Arco do Triunfo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em frente ao Louvre, entre ele e o Jardin des Tuileries, il y a le Jardin du Carrossel, com um pequeno Arco também construído por Napoleão para os seus vitoriosos soldados. (O Julien disse que acha “marrant” essa coisa do heroísmo com o qual o francês estereotipado se traveste). Mas lá fui eu: cruzei o primeiro jardin, o segundo, até chegar na Avenue Champs Elysées. Nota rápida: o jardin des Tuileries também estava lotado de gente. E nele tem muitas cadeiras de ferro, bem confortáveis, que a gente pode colocar onde quiser pra dar uma relaxada. Normalmente as pessoas colocam perto das fontes e ficam ali, no sol e pegando uns respingos. Aproveitei e fiz o mesmo para poder abrir o mapa de me situar. Aí sim segui em frente. Quase no final das Tuileries eu comecei a ouvir, vindo lá de trás, um grupo de adolescentes, por sinal muito interessante, cantando: “Oh, Champs Elysées! On va danser, on va chanter, on va....Oh! Champs Elysées ! ». E eles vieram se aproximando nesse ritmo compassado pela cantoria, os meninos na frente e as meninas atrás, no coro, como um rolo compressor ironizando os turistas. Genial! Embora isso tenha feito eu me flagrar ali, fez também distinguir em quais condições. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Champs elysées é o endereço da mais alta burguesia de Paris. Você precisava ver os tipos. Tudo bem que tem ali o Grand Palais, onde está tendo a exposição Brésil Indien, tem lá prédios lindos, mas é assim por todos os lados, então não faz diferença. Foi preciso ver o grande bunner da exposição encimando o suntuoso Grand Palais pra ter idéia do meu estrangeirismo. Era eu, o azul imenso anunciando os índios da Amazônia, e a França. Ali eu era nada. Me senti pequena, ainda não sei bem te dizer por que, mas um pouco diminuída, vendo um símbolo que me faz sentir brasileira (um cocar!!) exposto ali explorado pelo seu exotismo. Me senti uma índia, dá pra imaginar? Mas uma índia excluída da festa, carente do tal exotismo cultuado e, por que não dizer?, cultivado! Uma “exonêmica”, eu. Pelo menos ali, aos pés do Grand Palais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora dali não. Fora dali me sinto mesmo em casa, dando conta da rotina classe média de qualquer lugar do mundo. O que muda são os produtos e os preços. Tenho me sentido muito bem aqui, menos estrangeira, por incrível que pareça, do que me senti em Portugal. Talvez porque tenha vindo pra morar, ao invés de ir entrando e saindo com uma velocidade alucinante da vida das pessoas e, por sua vez, das cidades também. Nesse início eu vejo que basta o sentimento pra dar o tom do como vamos apreender um novo mundo. Todo o resto se desenrola a partir desse diapasão. E eu joguei a toalha. Deixei os Arcos do Triunfo pros franceses ficarem circundando feito alucinados em suas motonetas, fiats e fords. Me lancei no buraco do metro Franklin Roosevelt, que pelo nome parecia significar algo, mais precisamente um péssimo sinal. Devia voltar correndo para o outro lado da cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No “buraco” parei pra ver o mapa e descobrir a conexão que era preciso fazer: Strasbourg-St. Denis, depois Chatelêt (um dos grandes entroncamentos de trem e metrô) e de lá pegar o RER B (RER é o trem, B é a direção da minha casa) para a Porte de Gentilly, que passa pela Cité. Parece difícil, não sei que imagem fica na cabeça de vocês, mas não é não. Nem demorado. É um pulo. Eu agora estou me entendendo melhor com a estação de Chatelêt. Ela é cheia de corredores, entradas, escadas de alvenaria e rolantes, esteiras rolantes, gente surgindo por todos os lados. Mas não existem grandes espaços nela. São corredores e subidas e descidas, pois dali saem comboios pra tudo que é canto. E é um calor infernal. Eu acho que essa fama do francês fedorento vem daí: do lado de fora é frio, e dentro de qualquer lugar existe chauffage, o aquecimento, que nos obriga a um breve strip-tease. E é esse tira e põe o tempo todo, um suadouro louco, e depois um frio de avermelhar nariz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no RER, um sujeito batia no vidro da janela e cantava alto, excitado. Atrás dele, uma mulher que o olhava de maneira fulminante. Mezmerizei-me por aquele olhar, você compreende? Senti que dali sairia algo. Não demorou e ela soltou um gutural “S’il vous plaît”! E depois outro: “S’il vous plaît, monsieur!”. O cara afundou o pescoço no ombro. Ou, pra dizer em francês: “il a plongé son cou dans ses époules ». Gostei dessa atitude, dessa inquietude, dessa impaciência, dessa demonstração pública de irritação. Ça me fait plaisir. Porque sou meio assim, mas até então exercitei demasiadamente a contenção desse tipo de sentimento que trago em mim. Quase chegando aqui, já na estação Cite, vi um casal se amassando no canto da roleta, rostos quase inexpressivos, como nos dramas franceses – ou com a densidade muda do Último Poema do Bandeira. Dois segundos depois eles estavam atrás de mim, porque deixei cair no chão, ao sacar a carte orange, o cartão que me serve de chave de casa. C’est tout.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12721868-111548301811624755?l=sans-culottes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sans-culottes.blogspot.com/feeds/111548301811624755/comments/default' title='Publier les commentaires'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12721868&amp;postID=111548301811624755' title='0 commentaires'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111548301811624755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12721868/posts/default/111548301811624755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sans-culottes.blogspot.com/2005/05/moi-la-flaneuse.html' title='Moi, la flaneuse'/><author><name>ips</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
