mercredi, juillet 20, 2005
Enseignante???
Aos poucos ela vem chegando, devagarinho, no seu tempo...a rotina! Já andava com saudades dela. Havia muito que andava sem notícias suas. Ela amadureceu, encontrou um bom meio de vida, bons lugares para ir, bons amigos para partilhar o tempo, um corpo, um copo e boas idéias com as quais se ocupar.
E é verdade que isto se refletiu no mundo, pois com a nova rotina a secretaria da École des Hautes Études me forneceu uma carteira de...estudante? não! de enseignante!!! À que ponto chegamos, para onde caminha a humanidade??? Podemos ainda pensar que os tempos mudaram junto com esta rotina trés personelle, e que hoje é possível reconhecer a sabedoria pelo cheiro!...assim como a humildade.
A vantagem para além do espírito, é que com esta carteira eu entro de graça em tudo quanto é museu. Até me animei a encarar o Louvre.
E é verdade que isto se refletiu no mundo, pois com a nova rotina a secretaria da École des Hautes Études me forneceu uma carteira de...estudante? não! de enseignante!!! À que ponto chegamos, para onde caminha a humanidade??? Podemos ainda pensar que os tempos mudaram junto com esta rotina trés personelle, e que hoje é possível reconhecer a sabedoria pelo cheiro!...assim como a humildade.
A vantagem para além do espírito, é que com esta carteira eu entro de graça em tudo quanto é museu. Até me animei a encarar o Louvre.
dimanche, juillet 10, 2005
jeudi, juillet 07, 2005
Êparrei, Il n'y insin !
O português, meus amigos, essa língua indo-européia do ramo itálico do grupo latino, é, saibam vocês, uma língua sagrada. Numa consulta com um preto velho no Temple de Guaracy, perto de Nation, após ter dispensado o tradutor recebi um olhar penetrante e azul daquele vieux noir para então tomar consciência de que sou falante de uma língua sagrada.
O Brasil está se transformando numa rota mística de grande importância e au delá de Lula, estou pensando que a sacralização da nossa língua ("português-brasileiro"), o encantamento que o panteão dos nossos orixás exerce aqui nesse universo laico em desencanto e a vontade de entender essa alma "simples e sensível" que manifesta a cultura brasileira tem feito o português se transformar em língua OBRIGATÓRIA em vários grupos religiosos.
Atenção! O português é língua OBRIGATÓRIA EM VÁRIOS GRUPOS RELIGIOSOS AQUI NA EUROPA! E o desenvolvimento espiritual está em plena ascensão, em escalada vertiginosa simetricamente equiparável à queda na crença nas leis do mercado liberal. Pensando nisso, tenho achado que num tempo não muito distante nossa língua estará ocupando um espaço no mundo como o inglês ocupa já há alguns anos graças à uma imposição dos ideais liberais. Par contre, tenho fé que a língua da dor da saudade vai assolar os falantes da Terra (homens e papagaios) ao mesmo tempo em que promoverá uma espiritualização planetária. Veja só: o português é falado na Ásia, na África, na Europa e na América. Não é brincadeira não: um preto velho viajado me revelou que falamos hoje uma língua que representa o que o sânscrito e o védico representaram mil'anos a.C.
No domingo, dia de lavagem da escadaria da Sacre Coeur, as baianas cortaram um dobrado porque baixou um santo num árabe que estava ali assistindo ao que para alguns é apenas um espetáculo. Malgré tout, a baianona chefe de terreiro acabou tendo que dar um jeito no imponderável da situação e se posicionou na frente do árabe possuido bradando apelos em iorubá. Eu vi Babel, pois nesse momento estava dançando com uma família de músicos dos Camarões, numa arena situada no meio da extensa escadaria de pedra que leva à Basílica de Sacre Coeur.
Num certo sentido, o Brasil está em franco crescimento. E eu tenho fé que não é à toa que Gilberto Gil está à frente do Ministério da Cultura. No dia 14 de julho estarei lá no Champs Elysées para ver a esquadrilha da fumaça lançar pó verde e amarelo sobre o desfile de Lula e Chirac, não tenho dúvidas. Lula precisa continuar sorrindo o seu sorriso de homem de fé, porque o merdaçal da já velha corrupção é coisa que sempre dá e passa, pra depois dar e passar de novo, nosso velho processo histórico. Eu tenho começado a achar que pior são aqueles que se surpreendem com essas artimanhas inescrupulosas do governo e por uma simples razão: não pode ser verdadeiro esse sentimento de surpresa sobretudo depois da enxurrada de alianças feitas para se eleger o PT. Quem se sente surpreendido é ruim da cabeça ou doente do pé. Ou ainda se esquece que a justiça é cega. E sabendo-se que quem conta um conto aumenta um ponto, sabe-se que fato e relato são duas coisas pra lá de distintas.
Pensando na ética e no princípio de justiça dos nossos orixás, sugiro Xangô para chefe da Casa Civil!
O Brasil está se transformando numa rota mística de grande importância e au delá de Lula, estou pensando que a sacralização da nossa língua ("português-brasileiro"), o encantamento que o panteão dos nossos orixás exerce aqui nesse universo laico em desencanto e a vontade de entender essa alma "simples e sensível" que manifesta a cultura brasileira tem feito o português se transformar em língua OBRIGATÓRIA em vários grupos religiosos.
Atenção! O português é língua OBRIGATÓRIA EM VÁRIOS GRUPOS RELIGIOSOS AQUI NA EUROPA! E o desenvolvimento espiritual está em plena ascensão, em escalada vertiginosa simetricamente equiparável à queda na crença nas leis do mercado liberal. Pensando nisso, tenho achado que num tempo não muito distante nossa língua estará ocupando um espaço no mundo como o inglês ocupa já há alguns anos graças à uma imposição dos ideais liberais. Par contre, tenho fé que a língua da dor da saudade vai assolar os falantes da Terra (homens e papagaios) ao mesmo tempo em que promoverá uma espiritualização planetária. Veja só: o português é falado na Ásia, na África, na Europa e na América. Não é brincadeira não: um preto velho viajado me revelou que falamos hoje uma língua que representa o que o sânscrito e o védico representaram mil'anos a.C.
No domingo, dia de lavagem da escadaria da Sacre Coeur, as baianas cortaram um dobrado porque baixou um santo num árabe que estava ali assistindo ao que para alguns é apenas um espetáculo. Malgré tout, a baianona chefe de terreiro acabou tendo que dar um jeito no imponderável da situação e se posicionou na frente do árabe possuido bradando apelos em iorubá. Eu vi Babel, pois nesse momento estava dançando com uma família de músicos dos Camarões, numa arena situada no meio da extensa escadaria de pedra que leva à Basílica de Sacre Coeur.
Num certo sentido, o Brasil está em franco crescimento. E eu tenho fé que não é à toa que Gilberto Gil está à frente do Ministério da Cultura. No dia 14 de julho estarei lá no Champs Elysées para ver a esquadrilha da fumaça lançar pó verde e amarelo sobre o desfile de Lula e Chirac, não tenho dúvidas. Lula precisa continuar sorrindo o seu sorriso de homem de fé, porque o merdaçal da já velha corrupção é coisa que sempre dá e passa, pra depois dar e passar de novo, nosso velho processo histórico. Eu tenho começado a achar que pior são aqueles que se surpreendem com essas artimanhas inescrupulosas do governo e por uma simples razão: não pode ser verdadeiro esse sentimento de surpresa sobretudo depois da enxurrada de alianças feitas para se eleger o PT. Quem se sente surpreendido é ruim da cabeça ou doente do pé. Ou ainda se esquece que a justiça é cega. E sabendo-se que quem conta um conto aumenta um ponto, sabe-se que fato e relato são duas coisas pra lá de distintas.
Pensando na ética e no princípio de justiça dos nossos orixás, sugiro Xangô para chefe da Casa Civil!
mardi, juillet 05, 2005
lundi, juillet 04, 2005
Index I
Outro dia ouvi o Mello ler uma frase de um artigo do Howard Becker que era mais ou menos assim: "se estamos há duzentos anos discutindo a epistemologia da nossa disciplina, então é melhor que esqueçamos essa discussão pois se não foi possível dar conta dela em 200 anos, é sinal de que não daremos também nos próximos 200". eu entendi que talvez a discussão epistemológica da Antropologia seja mesmo um campo da própria disciplina, o seu "campo criativo" onde se bola, recusa, critica, revê e discute os paradigmas mesmo desse modo de fazer ver a vida.
Hoje, no já familiar RU, encontrei um amigo "Jedi", como passamos a nos reconhecer, pois é vero. Tem gente que basta mirar uma só vez no olho do outro que o reconhecimento é imediato, e entender isso demanda muita dedicação para se tomar consciência e confiar incondicionalmente no fato. Pois é. Digo isso pois hoje soube mais um pouco sobre os interesses desse meu amigo: há 20 anos ele estuda ritos de possessão, sobretudo no Gabão, e, entre outras coisas, conseguiu dar conta de processar a chacrona e o cipó na cozinha da sua própria casa, numa jornada de oito horas ininterruptas. Mas porque estou dando essa volta toda para falar do De La Justification? Chega a ser patético esse meu tour, mas escrevendo sei que vou tecendo o fio da meada. Essa pessoa e eu estendemos a conversa para a beira do lago do Montsouris, tempo de uma cigarrilha para voltarmos aos respectivos labores. Sei não...ele me sugeriu ler coisas sobre a Advaita Vedanta, a yoga arcaica, vó de todas, uma proto-ciência, dados os devidos descontos que uma infância cartesiana de nosostros ocidentales tentou romper a todo o custo, e isso só muito recentemente, mas, entretanto, o que é o tempo senão uma ilusão racionalizada para servir à indústria e..... ? Desculpe-me: foda-se Descartes! A não ser para os meus futuros alunos universitários que estarão ávidos por uma erudição sem tempo e com documento.
Foi assim que saí da beira do lago para o FranPrix. É que hoje botei na cabeça que ia começar a ler o Boltanski e o Thevenot, ia mastigar essa maravilha que os dois escreveram mas que demanda uma atenção integral. Já como exercício de concentração me impus a parada, e vi que os caras sofisticaram ao máximo essa refinada tradição francesa de ir espiralando, espiralando uma idéia, tal qual Rita Cadilac no Cassino do Chacrinha. Antes de qualquer crítica, vamos ser agradáveis e constatar que esse livro é um presente bonito para a humanidade das ciências sociais. É um auto-retrato do pensamento francês, um instrumento para se trabalhar material de pesquisa e, porquoi pas penser aussi que esse livro aperta a mão de Howard Becker quando resolve matar uma cobrona e mostrar o pau em todos os ângulos?
Monter en generalité é uma idéia. Ainda bem que eles já pouparam o nosso serviço desenvolvendo uma forma (com brilhos) onde a gente entra em universos, que são situações, a partir dos quais a gente puxa um ou outro fio para legitimar uma coisa que pode ser a mesma num estado puro, mas que muda de acordo com a música do enqueter e da cenografia do drama. Agora é sério: os caras conseguiram cartesianisar e literalizar o que para mim até então era pura poesia do ato contemplativo! Começo a pensar seriamente sobre o jantar de domingo passado, sobre o velho anarquista, o novo sociólogo, a table ronde e o quanto o tamanho do mundo em torno de uma mesa redonda vai depender do tipo de compromisso que se tem com a vida. Pelo o que eu tenho visto os sociólogos estão perdendo feio para os anarquistas. No entanto é preciso relevar, os sociólogos não sabem o que estão fazendo. Perdoai-os, Bakunin.
Hoje, no já familiar RU, encontrei um amigo "Jedi", como passamos a nos reconhecer, pois é vero. Tem gente que basta mirar uma só vez no olho do outro que o reconhecimento é imediato, e entender isso demanda muita dedicação para se tomar consciência e confiar incondicionalmente no fato. Pois é. Digo isso pois hoje soube mais um pouco sobre os interesses desse meu amigo: há 20 anos ele estuda ritos de possessão, sobretudo no Gabão, e, entre outras coisas, conseguiu dar conta de processar a chacrona e o cipó na cozinha da sua própria casa, numa jornada de oito horas ininterruptas. Mas porque estou dando essa volta toda para falar do De La Justification? Chega a ser patético esse meu tour, mas escrevendo sei que vou tecendo o fio da meada. Essa pessoa e eu estendemos a conversa para a beira do lago do Montsouris, tempo de uma cigarrilha para voltarmos aos respectivos labores. Sei não...ele me sugeriu ler coisas sobre a Advaita Vedanta, a yoga arcaica, vó de todas, uma proto-ciência, dados os devidos descontos que uma infância cartesiana de nosostros ocidentales tentou romper a todo o custo, e isso só muito recentemente, mas, entretanto, o que é o tempo senão uma ilusão racionalizada para servir à indústria e..... ? Desculpe-me: foda-se Descartes! A não ser para os meus futuros alunos universitários que estarão ávidos por uma erudição sem tempo e com documento.
Foi assim que saí da beira do lago para o FranPrix. É que hoje botei na cabeça que ia começar a ler o Boltanski e o Thevenot, ia mastigar essa maravilha que os dois escreveram mas que demanda uma atenção integral. Já como exercício de concentração me impus a parada, e vi que os caras sofisticaram ao máximo essa refinada tradição francesa de ir espiralando, espiralando uma idéia, tal qual Rita Cadilac no Cassino do Chacrinha. Antes de qualquer crítica, vamos ser agradáveis e constatar que esse livro é um presente bonito para a humanidade das ciências sociais. É um auto-retrato do pensamento francês, um instrumento para se trabalhar material de pesquisa e, porquoi pas penser aussi que esse livro aperta a mão de Howard Becker quando resolve matar uma cobrona e mostrar o pau em todos os ângulos?
Monter en generalité é uma idéia. Ainda bem que eles já pouparam o nosso serviço desenvolvendo uma forma (com brilhos) onde a gente entra em universos, que são situações, a partir dos quais a gente puxa um ou outro fio para legitimar uma coisa que pode ser a mesma num estado puro, mas que muda de acordo com a música do enqueter e da cenografia do drama. Agora é sério: os caras conseguiram cartesianisar e literalizar o que para mim até então era pura poesia do ato contemplativo! Começo a pensar seriamente sobre o jantar de domingo passado, sobre o velho anarquista, o novo sociólogo, a table ronde e o quanto o tamanho do mundo em torno de uma mesa redonda vai depender do tipo de compromisso que se tem com a vida. Pelo o que eu tenho visto os sociólogos estão perdendo feio para os anarquistas. No entanto é preciso relevar, os sociólogos não sabem o que estão fazendo. Perdoai-os, Bakunin.



