mercredi, août 17, 2005

Plaza de Toros La Real Maestranza

Mairena del Alcor - Madri

Num cativeiro em pleno deserto...mas partiremos hoje, com carta de alforria, da seca de Mairena! A regiao é de laranjeiras, o que me remete diretamente à Itaboraí. Estou de saída para Madri às 16:00. Chego lá por volta das 18:30 e fico até dia 20, quando pego outro trem para Paris. 2000km de volta, Sevilha-Paris.

Ainda bem que nao sabia que vinha para Mairena, pois é o tipo de cidade que ninguém pagaria para vir. Mas, uma vez aqui, nao páro de rir um só segundo. Fico imaginando o que os moradores de Mairena pensam quando caminhamos pela rua, "o que esses estrangeiros fazem aqui? Devem estar foragidos!". Senti que havia algum tipo de sentimento de intrusao vindo em nossa direçao e resolvi adotar uma estratégia: passei a dizer "hola!" e "buenas noches!" a cada velho sentado na soleira. Toda a populaçao de Mairena já nos conhece, uma província sem árvores, sem sombra, onde de 14:00 às 18:00 nao há viv´alma nas calçadas!

Ontem saí na hora da sesta só para experimentar um pouco dessa hora numa rua de deserto. Acho que tive experiência semelhante à de Jesus Cristo. E descobri: quem se perde no deserto nao descobriu ainda o seu lugar no mundo... pelo teor da filosofia, vocês podem imaginar que tive insolaçao.

Mas passei o dia 15 de agosto na Plaza de Toros La Maestranza, vendo uma corrida em homenagem à padroeira de Sevilla, que é a nossa Senhora de Reyes, do dia 15 de agosto. Em breve um capítulo com fotos de uma tourada.

Malgré teus apelos, Tetê, eu nao resisti e fui torcer pros touros. E agora posso dizer: A Espanha me ASSUSTA!

Hasta Luego!

samedi, août 13, 2005

Alhambra II

Alhambra

Zaira, Zoraida e Zorahiada cresceram em sua torre de marfim na Alhambra ouvindo as histórias contadas pela discreta Kadiga. Sem saberem que se pai, o arguto sultao Mohamad, havia apelado aos conselhos do astrólogo da cidade palaciana quando do nascimento de suas três princesas, as jovens irmas estavam desde entao destinadas à vigília da guarda moura contra os sedutores chamados dos cancioneiros espanhóis.

Ao alcaçarem a idade dos ardentes desejos juvenis, as princesas quedaram em profundo desmazelo. Nao havia pérolas, ouro, distraçoes, nem qualquer outra riqueza trazida de harén mais sublime do Marrocos que pudesse aplacar a lassidao das três jovens. Apenas o amor dos três jovens cristaos espanhóis. Da Torre das Ninfas, entao, se confabulou uma fuga. Zaira, a mais velha, instigou a coragem nas duas mais novas. Zoraida, a mais bela, nao teve dúvidas, e Zorahiada, a mais jovem e tímida, incitada pelo desejo, acabou sucumbindo à culpa de burlar a guarda de seu pai e desistiu, do alto das horas, de se entregar, como suas irmas, aos apelos do amor. Desatando-se das cordas que a levariam ao lombo do cavalo do amado, Zorahiada entregou-se à solidao do castelo de Alhambra e ali padeceu jovem, curtindo no peito o amor nao vivido.

Quanto a mim, quando entrei em Alhambra e vi tudo do alto, toda a exuberância que a tradiçao musulmana imprimiu na face da Terra, tradiçao essa destinada integralmente ao cuidado e cultivo dos mistérios e das maravilhas, pensei sinceramente: "Vou me permitir imaginar que isso tudo me pertence". E nunca me senti tao bem na vida, penetrando naquela cidade antiga como uma sultana, percorrendo suas vielas, seus banhos, suas muralhas, suas torres, seus jardins e suas inúmeras fontes da água cristalina como quem também ali vivera o lúgubre de muitas das histórias ali passadas à luz de velas, na sua medina, no seu palácio, ou nas saídas das portas de ferro.

Manuel de Falla viveu ali numa das ruas da medina na década de 20 deste século.

Demain, après midi: Seville.

jeudi, août 11, 2005

Granada

Cheguei, estou em Sacromonte, Granada. Le barrio de las cuevas flamencas, buracos na montanha onde vivem los gitanos e onde se ouve o flamenco que Paco de Lucía aprendeu em uma de suas cuevas. Os interiores de las cuevas sao como as casas mediterraneas que aprendemos a identificar: brancas, talhadas na pedra e com arcos rusticos. Muito bordado árabe nos sofás de pedra e panelas de bronze penduradas nas paredes. Sao pequeníssimas. Nesse ambiente intimista vou estar logo mais, no alto da montanha de Sacromonte, de onde se vê bem em frente l´Alhambra e, ao fundo, Sierra Nevada.

Granada é um upgrade de todas as viagens que sempre me atrairam, inclusive aquela que me levou mesmo a morar em Maringá. Vejo que em Andaluzia, o sul da Espanha, estamos, na verdade, no norte da África.

dimanche, août 07, 2005

Raval

Estou no Raval, um bairro antigo de Barcelona, ao lado do bairro gótico, da Rambla animada, de Barceloneta, perto de tudo. O Raval é paquistan&es. E o mercado de la Boqueria é das frutas, dos mariscos, dos peixes, das verduras, das putas e dos travestis. A apariÇao desses produtos no Mercat só depende da vitoria do dia ou da noite.

Além do mais, em catalao, AMB é igual a COM, AVEC. Quer dizer, estar com, é estar AMB. Estar comigo, numa mistura latina catala, é estar AMB EGO. AMB para dizer com é lindo: é como estar no ambito de, dentro do magnetismo de, vendo o mundo com, a partir de determinada perspectiva.

E outra coisa: um espaco fisico é a morada de um espirito, e o espaco fisico de Barcelona permite espiritos das mais diversas extirpes. Quantos olhos flagro me olhando. Nao há pudor!

Ontem comprei a passagem pra Granada. 14 horas de &onibus até a Andalucia. dizem que lá o sol está incendiando. Quem tá no deserto é mesmo para se molhar! Granada e Sevilha. Essa mensagem é só um alo para dizer a todos que Espanha realmente me encanta. Hay conversa nas calles, nas pensiones, nas peluquerias, peleterias, carnicerias...! Alias, estoy em cima de la Carneceria Islamica. E cortei o cabelo num paquistanes do século XII: comendo com a mao.

PT, tenho fotos de la Tasca EL Tropezon, onde se come mui mui bien por um precito irrisorio. Parece os tr&es coelhinos, pertto do IFCS. Mando fotos logo mais.

Vou flanar agora.

lundi, août 01, 2005

ESPANHA

Estou de partida para o mundo mouro. Hoje deixei meu apartamento, estou na casa de um amigo, e dia 3, meto os pes nos trilhos. 12 horas de viagem ate Barcelona, depois Granada, Cordoba e Sevilha.

Tentarei mandar imagens. Voltei a desenhar e com isso meu mundo se reconfigurou. Saber o que registrar na cena é um exercicio de escolha, porque o mundo passa sem cessar diante dos nossos olhos. Concentremo-nos, pois, em nossas almas, irmãos... é que estou lendo Lettres à un jeune poète, de Rilke. Belo presente de aniversario, na Hungria.

E o contrato com a CAPES està sendo cumprido, assim como àquele que fiz com o diabo...olé!